O setor de energia aponta demandas cruciais para o próximo governo, focando em segurança jurídica e competitividade.
A indústria de energia elétrica no Brasil, em especial o segmento de autoprodução renovável, tem delineado um conjunto de prioridades para apresentar aos futuros governantes. O objetivo é garantir um ambiente de negócios mais seguro e competitivo, fundamental para atrair investimentos e impulsionar a transição energética.
Uma das bandeiras mais fortes é a busca por soluções eficazes para o chamado “curtailment“, que se refere aos cortes de geração impostos por limitações na rede de transmissão. Essa prática tem gerado prejuízos significativos, estimados em bilhões de reais para os geradores de fontes limpas, e a demanda é por uma agenda clara para o período de 2027 a 2030.
Segurança Jurídica e Competitividade no Centro das Demandas
A Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica (Abiape) tem liderado a articulação dessas demandas, divulgando cartas abertas aos presidenciáveis. A entidade defende medidas que fortaleçam a segurança jurídica da autoprodução, liberem investimentos paralisados e mantenham a competitividade de setores intensivos no consumo de energia.
A visão é que a autoprodução de energia é um pilar essencial para indústrias como siderurgia, mineração, alumínio, papel e celulose, cimento e química. Sem um suprimento energético confiável e economicamente vantajoso, a capacidade de competir dessas cadeias produtivas fica comprometida.
Preocupação com Encargos e Revisão de Subsídios
Outra preocupação recorrente entre as associações do setor, incluindo a Abihv (hidrogênio verde), GRA (renováveis) e Abrace (consumidores industriais), é o impacto dos encargos e a instabilidade regulatória no custo da energia. Essas entidades apontam a expansão da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) como um dos principais vetores de aumento nas tarifas.
A defesa é pela revisão dos subsídios existentes no setor elétrico e pela criação de uma Agenda Nacional de Competitividade Energética, buscando um equilíbrio maior entre os custos e a atratividade da energia.
Powershoring e Novas Cadeias de Valor
A atração de grandes consumidores e o desenvolvimento de novas cadeias de valor energointensivas são apostas para o futuro. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem defendido o alinhamento da política industrial com a transição energética, incentivando o “powershoring” – a instalação de indústrias que se beneficiam de fontes de energia abundantes e competitivas.
Setores como minerais críticos, baterias elétricas, etanol de segunda geração, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e hidrogênio de baixo carbono são vistos como oportunidades estratégicas para o Brasil. A articulação dessas políticas e a regulamentação de medidas já aprovadas são essenciais.
Diferentes Perspectivas na Campanha Presidencial
As discussões sobre o futuro da energia já começam a permear as campanhas presididenciais. Enquanto alguns defendem o fim de novos subsídios para a geração elétrica, outros sinalizam a importância de manter incentivos para o uso de combustíveis fósseis.
Candidatos têm apresentado propostas que incluem o desenvolvimento do Nordeste através de energias renováveis e data centers, o estímulo à agroindústria com biocombustíveis, e a atração de investimentos estrangeiros em minerais críticos. A diversidade de visões reforça a necessidade de um diálogo construtivo para definir o caminho energético do país.




















