Abiape cobra de presidenciáveis plano urgente para reduzir prejuízos com curtailment na energia

Abiape cobra de presidenciáveis plano urgente para reduzir prejuízos com curtailment na energia
Abiape cobra de presidenciáveis plano urgente para reduzir prejuízos com curtailment na energia - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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Com as eleições de 2026 no horizonte, investidores em autoprodução de energia pressionam os candidatos a priorizar medidas contra o curtailment, visando garantir a competitividade industrial.

Em meio ao acirrado cenário das eleições de 2026, o setor de energia elétrica busca espaço na agenda dos futuros gestores do país. A Abiape (Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica) encaminhou uma série de propostas estratégicas para o quadriênio 2027-2030, focadas em assegurar estabilidade jurídica e estimular novos aportes financeiros em um modelo de geração essencial para o parque industrial brasileiro.

O ponto crítico da pauta é o chamado curtailment — o corte forçado na geração de energia renovável pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Segundo dados da entidade, essa limitação operacional gerou um impacto financeiro negativo de R$ 6 bilhões ao mercado renovável apenas em 2025, sendo que R$ 1,5 bilhão recaiu diretamente sobre os autoprodutores, que abastecem setores vitais como siderurgia, mineração e papel e celulose.

Propostas para destravar o setor

A associação defende a implementação de um mecanismo de compensação financeira para os agentes que sofrem com as interrupções de carga. Para Mário Menel, presidente da Abiape, o papel da autoprodução vai muito além da geração de megawatts. “A autoprodução garante previsibilidade de custos e sustentabilidade para setores eletrointensivos da nossa economia, como siderurgia, mineração, alumínio, papel e celulose, cimento e química”, destaca o executivo.

Além dos cortes de geração, a agenda da Abiape mira a regulamentação do ERCAP (Encargo de Potência para Reserva de Capacidade). Com custos que podem chegar a R$ 53 bilhões anuais até 2032, a associação solicita que o Governo Federal aplique a cobrança conforme a Lei nº 15.269/2025, garantindo um modelo de rateio que não sobrecarregue desproporcionalmente os agentes do setor.

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Segurança jurídica e futuro industrial

Outro pilar do documento é a blindagem da autoprodução contra encargos setoriais incidentes sobre o consumo próprio. A intenção é consolidar legalmente a desoneração dessas operações para manter a viabilidade econômica dos projetos industriais. O plano também sugere a renovação das concessões de 32 usinas hidrelétricas, que totalizam 10 GW de capacidade instalada, visando tanto o fornecimento de longo prazo para as fábricas quanto uma arrecadação estimada de R$ 5,1 bilhões.

O peso dessa modalidade na economia nacional é significativo: um estudo da Pezco Economics indica que a autoprodução é responsável por 12% da geração total e 8% do consumo de energia no país. Com R$ 140 bilhões já investidos, o setor sustenta cerca de 196 mil postos de trabalho anuais e contribui com R$ 31 bilhões para o PIB brasileiro.

Ao colocar essas demandas na mesa de discussão presidencial, a Abiape busca não apenas mitigar riscos operacionais, mas pavimentar o caminho para que a descarbonização da indústria nacional avance com segurança e previsibilidade tarifária nos próximos anos.

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