Petrobras cobra Aneel por falhas em modelo do ONS que geram penalidades indevidas

Petrobras cobra Aneel por falhas em modelo do ONS que geram penalidades indevidas
Petrobras cobra Aneel por falhas em modelo do ONS que geram penalidades indevidas - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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A Petrobras acionou a Aneel para questionar falhas técnicas no modelo Dessem, do ONS, que podem punir indevidamente usinas termelétricas contratadas no leilão de reserva de capacidade.

A Petrobras iniciou um movimento junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para exigir ajustes na metodologia computacional utilizada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O foco do litígio é o programa Dessem, ferramenta responsável pela programação diária do despacho de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo a petroleira, o sistema atual ignora as especificidades contratuais das usinas vencedoras do leilão de reserva de capacidade (LRCap) de 2026, criando um cenário de insegurança jurídica e riscos financeiros.

A estatal argumenta que, embora suas termelétricas operem em conformidade com as regras estabelecidas no certame, o Dessem impõe restrições de modelagem que não condizem com a realidade física dos ativos. Essa desconexão pode resultar em penalidades contratuais severas e exposição indesejada ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

Incompatibilidades operacionais entre o LRCap e o Dessem

O núcleo do problema reside na rigidez das variáveis de controle do ONS. Enquanto os contratos do LRCap permitem o uso de tempos fracionários em horas para rampas de acionamento e desligamento, o Dessem opera com intervalos fixos de 30 minutos e exige arredondamentos de dados.

Para a empresa, essa limitação de software cria um “falso descumprimento”. Na visão da Petrobras, usinas que operam com eficiência técnica são penalizadas porque o modelo não consegue processar os parâmetros reais, forçando uma interpretação errônea sobre a inflexibilidade de geração.

“A divergência na modelagem pode resultar em penalidades contratuais e exposição financeira para a companhia, mesmo com as térmicas operando conforme o previsto nos contratos do certame”, reforça a estatal em seus argumentos técnicos enviados ao regulador.

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Riscos financeiros e casos específicos

As possíveis sanções financeiras preocupam o setor. Caso o modelo mantenha a atual interpretação, as térmicas da Petrobras podem ser penalizadas com multas equivalentes a 3% de sua receita fixa diária, além de arcarem com custos decorrentes da exposição ao PLD quando o mercado estiver abaixo do custo variável unitário (CVU) das unidades.

O impacto é sentido com maior intensidade em plantas como a UTE Nova Piratininga e a UTE Seropédica, onde limitações físicas de turbogeradores impedem o enquadramento no modelo do ONS. Outras unidades, como Juiz de Fora, Canoas e Termobahia, também apresentam gargalos, embora a Petrobras já tenha desenhado soluções operacionais, como a antecipação de partidas, para mitigar o problema sem alterar o desempenho real das máquinas.

Propostas de solução junto à Aneel

A Petrobras solicitou que a Aneel intervenha, orientando o ONS a flexibilizar a exigência de que os estágios de rampa possuam obrigatoriamente a geração média igual à potência mínima operativa (Gmin).

Como alternativa técnica, a estatal sugere que o ONS aproveite a etapa de unit commitment para realizar ajustes de precisão na programação diária. O objetivo é permitir que as rampas reais sejam respeitadas, garantindo que o despacho seja, de fato, a representação da capacidade instalada contratada, evitando que a tecnologia seja um entrave para o cumprimento dos compromissos de energia do país.

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