Abiape apresenta agenda com prioridades para setor elétrico ao próximo governo

Abiape apresenta agenda com prioridades para setor elétrico ao próximo governo
Abiape apresenta agenda com prioridades para setor elétrico ao próximo governo - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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A Abiape apresentou uma agenda estratégica ao próximo governo, focada em reduzir encargos setoriais, mitigar o curtailment e ampliar a competitividade da autoprodução de energia no Brasil.

A busca por um cenário mais previsível e competitivo no setor elétrico brasileiro ganhou um novo capítulo. A Abiape (Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica) protocolou uma pauta de prioridades voltada ao futuro governo, mirando o quadriênio 2027-2030. O foco central é o fortalecimento da autoprodução, modalidade vital para a saúde financeira de indústrias eletrointensivas e um pilar de segurança energética para o país.

Atualmente, a autoprodução responde por 12% da geração nacional e 8% do consumo, movimentando cerca de R$ 31 bilhões no PIB brasileiro. Com R$ 140 bilhões em investimentos acumulados e a criação de 196 mil empregos, a associação argumenta que a redução de encargos e a clareza regulatória não são apenas pleitos setoriais, mas uma necessidade para sustentar o crescimento industrial diante da volatilidade dos preços.

Principais gargalos e a busca por eficiência

Um dos pontos mais críticos levantados pela Abiape diz respeito ao curtailment — o corte intencional de energia gerada. Apenas em 2025, os prejuízos aos geradores renováveis somaram R$ 6 bilhões, sendo que R$ 1,5 bilhão recaiu diretamente sobre os autoprodutores. Para a entidade, o desenvolvimento de uma solução estrutural para evitar o desperdício de energia limpa é urgente para não desestimular novos aportes no setor.

Outro foco de atenção é a regulamentação do ERCap (Encargo de Potência para Reserva de Capacidade). A associação alerta que, sem uma definição clara sobre o rateio de custos, o encargo pode atingir R$ 53 bilhões anuais até 2032. O receio é que a metodologia atual distorça os preços e prejudique a eficiência alocativa, impondo um peso desproporcional a setores que já enfrentam custos elevados.

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“A energia elétrica deve ser considerada um elemento estratégico para o desenvolvimento econômico do país”, afirma Mário Menel, presidente da Abiape.

Projeções e o futuro da competitividade industrial

A agenda da entidade também propõe mudanças legislativas para blindar a parcela de energia autoproduzida e autoconsumida da incidência de encargos setoriais. Além disso, a pauta inclui a prorrogação de concessões de 32 usinas hidrelétricas, que somam 10 GW de capacidade instalada. O movimento poderia destravar cerca de R$ 5,1 bilhões em arrecadação, garantindo energia de longo prazo para indústrias de aço, alumínio e papel.

A médio prazo, o sucesso dessas medidas pode definir a capacidade do Brasil em se posicionar como um player de destaque na economia verde. Ao alinhar segurança jurídica com políticas de eletrificação industrial, o governo eleito terá a chance de transformar a baixa emissão de carbono da matriz nacional em uma vantagem competitiva definitiva no mercado global. A Abiape reforça que, ao remover distorções, o país viabiliza investimentos necessários para que a indústria retome seu protagonismo.

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