Um marco para a infraestrutura energética: o ambicioso Projeto Raia atinge uma profundidade recorde de mais de 2,7 mil metros, preparando o terreno para ampliar o suprimento nacional de gás.
A Equinor, em uma operação conjunta com a Petrobras e a Repsol Sinopec Brasil, acaba de consolidar um avanço técnico sem precedentes no setor de óleo e gás. A instalação do trecho em águas ultraprofundas do gasoduto que integra o Projeto Raia foi finalizada, estabelecendo um novo recorde mundial de profundidade para estruturas dessa natureza.
Este duto, que conecta o campo de produção ao litoral fluminense, alcançou a marca de 2.735 metros de coluna d’água. Com uma extensão total de 186 quilômetros, a infraestrutura é vista como um pilar estratégico para a segurança energética do país, com capacidade de escoar 16 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente a partir de 2028.
Engenharia de ponta na Bacia de Campos
A complexidade da obra exigiu a utilização de tecnologia de ponta, incluindo a fabricação do duto pela Tenaris com um índice de 99% de conteúdo local em aço. O esforço operacional, que envolveu centenas de especialistas a bordo de embarcações especializadas da Saipem, foi acompanhado pela conclusão antecipada do poço PDA-P14.
“A antecipação da entrega do primeiro poço produtor reflete o alto nível de expertise técnica e o compromisso das equipes envolvidas com a eficiência em um ambiente de operação extremamente desafiador”, destacou a companhia responsável pelo empreendimento.
Próximos passos para a conexão terrestre
O foco das operações agora se volta para a integração entre os trechos submarinos e a rede em terra. A balsa Saturn já se encontra em Macaé para iniciar os trabalhos de perfuração horizontal direcionada (HDD). Essa técnica será crucial para realizar a conexão definitiva da infraestrutura ao terminal de Cabiúnas, ponto de entrada para o sistema nacional.
O Projeto Raia, que engloba as reservas de Pão de Açúcar, Gávea e Seat, detém um potencial superior a 1 bilhão de barris de óleo equivalente. A conclusão destas etapas garante que o Brasil caminhe para uma maior autonomia no suprimento de gás natural, fortalecendo a malha de distribuição nacional e atendendo a cerca de 15% da demanda projetada para o mercado brasileiro.





















