A holding J&F consolidou sua expansão no setor de energia ao assumir o controle majoritário da Logás, focando no transporte rodoviário de gás para indústrias fora da rede de gasodutos.
O grupo J&F deu um passo estratégico importante para fortalecer sua presença na cadeia de suprimentos de combustíveis. Com a aprovação do Cade em março de 2026, a holding adquiriu 90% da Logás, empresa mineira que é referência nacional em logística off-grid de gás natural e biometano.
A transação absorveu participações da Macaw Energies Brasil e do executivo Márcio Pires Pinheiro, consolidando um novo braço operacional para o grupo, que já atua com a MGás e a Fluxus.
A operação é focada no chamado “gasoduto virtual”, que utiliza frotas especializadas para levar o insumo até unidades industriais que não possuem conexão com a malha dutoviária convencional.
Esse modelo garante a continuidade energética para fábricas que, de outra forma, dependeriam de combustíveis mais caros ou poluentes, funcionando como um importante motor de desenvolvimento econômico para regiões desassistidas.
Tecnologia e capilaridade no transporte de gás
Com sede em Betim (MG), a Logás opera uma estrutura robusta capaz de processar 300 mil m³ de gás por dia. Sua frota conta com mais de 50 carretas adaptadas para o transporte seguro de GNC (Gás Natural Comprimido) e GNL (Gás Natural Liquefeito).
O diferencial competitivo da empresa reside na integração tecnológica: o monitoramento em tempo real e o uso de telemetria permitem que o abastecimento das indústrias seja feito de forma autônoma e programada, prevenindo interrupções críticas nos processos fabris.
O empresário Márcio Pires Pinheiro afirmou sobre a urgência de flexibilizar o fornecimento energético brasileiro:
“A indústria não pode esperar dez ou quinze anos até que um gasoduto chegue à sua região. É preciso criar soluções capazes de conectar oferta e consumo de maneira segura e economicamente viável. Foi essa necessidade que enxergamos no mercado.”
O papel do biometano na transição energética
Além do gás fóssil, a estrutura da Logás é fundamental para viabilizar a economia do biometano no Brasil. Por meio da logística rodoviária, produtores de energia renovável conseguem alcançar consumidores distantes.
Essa conexão transforma a produção descentralizada em uma commodity competitiva, essencial para indústrias que buscam reduzir suas emissões de carbono.
Pinheiro ressaltou:
“O biometano aproxima a produção de energia das economias regionais. Mas esse combustível só gera valor quando existe uma estrutura capaz de levá-lo da origem até o consumidor. A logística é fundamental para transformar o potencial ambiental em atividade econômica.”
A entrada da J&F neste segmento acontece em um momento em que o país debate a expansão da infraestrutura por meio do PIG (Plano Indicativo de Gasodutos de Transporte).
Enquanto grandes projetos de dutos seguem o ritmo de investimentos da ordem de R$ 29 bilhões mapeados pela EPE, o transporte rodoviário consolida-se como uma infraestrutura de transição indispensável.
Ao integrar a Logás, o grupo posiciona-se não apenas como um comercializador, mas como um provedor de soluções logísticas que garantem competitividade industrial e agilidade na entrega de energia limpa em todo o território nacional.
















