A 9ª edição da ETRI 2026 na USP discutirá a geopolítica da inovação, unindo academia, governo e indústria para debater o futuro da transição energética, combustíveis de baixo carbono, hidrogênio e cooperação internacional.
A busca por uma economia de baixo carbono está redefinindo as relações de poder no cenário global. A corrida por tecnologias inovadoras, matérias-primas estratégicas e novos mercados de energia impõe um desafio urgente para governos e corporações: equilibrar a competição geopolítica com a cooperação internacional. Esse tema central guiará a Energy Transition Research & Innovation Conference (ETRI 2026), que ocorrerá entre os dias 4 e 6 de novembro, na Universidade de São Paulo (USP).
Organizado pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI-USP), o evento chega à sua nona edição consolidado como um dos principais fóruns de debate sobre a sustentabilidade e o avanço da energia limpa. A programação abordará tópicos vitais, como gestão de carbono, bioenergia, combustíveis de baixo carbono, hidrogênio e a descarbonização dos transportes, conectando pesquisadores, líderes industriais e formuladores de políticas públicas.
Geopolítica e Estratégias para o Futuro Energético
O evento colocará em evidência a capacidade científica e de inovação do RCGI, que atualmente conta com cerca de 800 pesquisadores e dezenas de projetos ativos. A abertura oficial, marcada para o dia 4 de novembro, contará com a presença do deputado federal Arnaldo Jardim, relator de importantes marcos regulatórios para o setor. No dia seguinte, o especialista Corné Hulst trará perspectivas sobre gestão portuária, inclusão e inovação social aplicadas ao setor energético.
A professora Karen Mascarenhas, chair da ETRI 2026, ressalta a complexidade dessa transformação global:
“A transição energética não depende apenas de desenvolver tecnologias capazes de reduzir emissões. Ela envolve decisões estratégicas sobre quem domina essas tecnologias, onde serão produzidas, como serão financiadas e quem terá acesso a elas. Ao trazer a geopolítica para o centro do debate, queremos discutir também o papel da ciência e da cooperação internacional na construção desse cenário.”
Cooperação Internacional e Aplicações Práticas
Um dos pontos altos da conferência será o painel dedicado à cooperação internacional, que reunirá diplomatas e especialistas, incluindo representantes da Suécia e a cônsul-geral da Turquia, país sede da próxima COP31. O debate buscará alinhar interesses e reduzir assimetrias tecnológicas entre as nações.
A professora Karen Mascarenhas reforça a urgência dessa integração:
“A cooperação científica pode ser um instrumento importante para que países como o Brasil participem do desenvolvimento das tecnologias que vão definir o futuro da energia, e não apenas de sua utilização. É preciso aproximar pesquisa, indústria e políticas públicas, sem perder de vista os diferentes interesses e as desigualdades de capacidade tecnológica entre os países.”
Além dos debates teóricos, a programação incluirá discussões sobre a aplicação industrial de soluções sustentáveis, ecossistemas de hidrogênio e a descarbonização da aviação e da navegação por meio de combustíveis sustentáveis (SAF).
Inovação em Alta Velocidade e Visitas Técnicas
A programação da ETRI 2026 também abrirá espaço para conexões surpreendentes com o setor automotivo de elite. No dia 4 de novembro, o evento promoverá um encontro especial com engenheiros da Petronas que atuam na Fórmula 1, debatendo o desenvolvimento tecnológico em condições extremas e suas aplicações na transição energética.
Para encerrar a imersão, o dia 6 de novembro será reservado para visitas técnicas a centros de excelência, laboratórios de hidrogênio, plantas de captura de carbono e linhas de montagem de montadoras parceiras, oferecendo aos participantes uma visão prática dos avanços tecnológicos em curso no Brasil.
O impacto da ETRI 2026 ressoa fortemente na construção de um ecossistema mais resiliente e colaborativo. Ao reunir mentes brilhantes e decisores globais, o evento na USP projeta caminhos sólidos para que a ciência e a tecnologia guiem o planeta em direção a um futuro verdadeiramente sustentável e de baixo carbono.











