A Raízen celebrou um acordo histórico de R$ 22,4 bilhões com o Fisco, garantindo descontos expressivos e viabilizando seu plano de reestruturação financeira na bolsa de valores.
A Raízen, gigante do setor energético conhecida por gerenciar a marca Shell nos postos de combustíveis e pela produção de biocombustíveis, fechou uma expressiva transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Receita Federal. O acerto envolve um montante total de R$ 22,4 bilhões, permitindo que a companhia desfrute de abatimentos generosos em encargos e penalidades financeiras, fundamentais para o avanço de sua recuperação extrajudicial.
Do total negociado, a fatia sob responsabilidade econômica direta da empresa alcança R$ 16,7 bilhões. Com a intervenção do órgão fiscal, que concordou em abrir mão de R$ 8,5 bilhões referentes a juros e multas, o saldo devedor da companhia despencou de forma significativa, marcando uma reviravolta importante nas finanças da marca gerida pela Cosan e pela Shell.
Como a dívida milionária foi reduzida drasticamente
O impacto do acerto tributário surpreendeu o mercado financeiro. Para liquidar a parcela remanescente de R$ 8,2 bilhões, a Raízen utilizará uma estratégia que preserva o seu caixa operacional. Cerca de R$ 5,7 bilhões serão abatidos por meio do uso de créditos acumulados de prejuízos fiscais, transformando perdas tributárias passadas em moeda de quitação.
Dessa forma, o desembolso financeiro real da companhia será de apenas R$ 2,5 bilhões pagos à vista. Na prática, os investidores observaram a empresa solucionar um passivo multibilionário injetando uma fração mínima de recursos líquidos, o que representa um alívio em meio ao processo de reorganização corporativa supervisionado pela Justiça de São Paulo.
A União concordou em reduzir o montante à metade em troca da garantia de recebimento, viabilizando as condições precedentes exigidas para a reestruturação da companhia no mercado.
Próximos passos e o futuro da governança
Enquanto o passivo com a União encontra-se equacionado, a Raízen avança para a etapa de capitalização. Está marcada para esta quinta-feira (30) a assembleia de acionistas que deliberará sobre o aumento de capital, estimado entre R$ 3,5 bilhões e R$ 39,8 bilhões. Com a conversão de débitos em participações societárias, os credores deverão assumir mais de 80% do capital social da corporação.
As mudanças também alcançam o pregão da B3. A partir de novembro, os papéis preferenciais passarão por alterações em suas nomenclaturas e códigos de negociação, enquanto o mercado acompanha de perto o apetite de fundos e concorrentes pelos créditos da empresa, que busca estabilidade após enfrentar safras desafiadoras e pressões macroeconômicas.












