Arayara aponta greenwashing em plano que mantém combustíveis fósseis até 2055

Reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília, em 6 de novembro de 2026 (Foto Tauan Alencar/MME)
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O Instituto Internacional Arayara classificou o novo plano de transição energética do país como greenwashing pela manutenção de combustíveis fósseis na matriz nacional até o ano de 2055.

A recente aprovação do Plano Nacional de Transição Energética (Plante) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) provocou duras reações de entidades socioambientais.

O documento estabelece as diretrizes brasileiras para reduzir a dependência de fontes não renováveis nos próximos anos.

No entanto, o Instituto Internacional Arayara apontou inconsistências graves na proposta.

A organização sustenta que o texto gera um falso alinhamento ecológico ao permitir a presença prolongada de derivados de carbono na matriz energética do país.

O cenário acende o alerta sobre o real compromisso do país frente aos acordos internacionais sobre mudança do clima e descarbonização das cadeias produtivas.

Contradições climáticas e falhas no processo

A principal crítica gira em torno da permanência do carvão mineral, do gás natural e do petróleo na matriz elétrica até 2055.

Essa projeção segue o Plano Nacional de Energia (PNE 2055), mas entra em choque direto com as metas de neutralidade climática.

Segundo a entidade, o planejamento compromete os compromissos assumidos no Acordo de Paris, que preveem emissões líquidas zero até 2050.

Além disso, a classificação do gás natural como combustível estratégico foi rejeitada devido ao alto impacto do metano.

A organização ambientalista também questiona a condução do processo pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

A acusação indica que o texto foi aprovado sem a prévia divulgação de nota técnica sobre as contribuições da consulta pública.

Por outro lado, o MME defendeu a transparência do processo, alegando ter recebido mais de 1,4 mil sugestões do público.

O órgão garantiu que a equipe do Grupo Técnico do Plante (GT Plante) avaliará as recomendações formuladas pelo Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte).

Conflito entre leilões e metas ambientais

Outro ponto ressaltado pelo instituto é o contraste entre o mapa do caminho para a transição e decisões recentes do governo federal.

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Leilões recentes priorizaram empreendimentos voltados à geração termelétrica fóssil de grande porte.

No certame promovido via Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), foram contratadas dezenas de usinas movidas a gás e carvão.

Esse movimento amplia os compromissos financeiros e estruturais com fontes poluidoras.

Exemplo disso é a extensão contratual até 2040 de termelétricas como o Complexo Jorge Lacerda e a usina de Candiota III.

Tais medidas geram impactos bilionários repassados diretamente às contas dos consumidores de energia.

O Instituto Internacional Arayara declarou:

“A aprovação do plano mantém carvão mineral, gás natural e petróleo nas matrizes energética e elétrica até 2055, um horizonte que entra em rota de colisão direta com o Acordo de Paris.”

Demandas por uma transição justa

Diante do cenário, o Instituto Internacional Arayara apresentou uma lista com reivindicações para reorientar a política energética.

A entidade pede o encerramento gradual de subsídios para o setor fóssil e o fim de novos leilões para o segmento.

Entre as propostas estão a substituição de sistemas isolados a diesel na Amazônia por microrredes renováveis e a inclusão do custo social do carbono no planejamento da matriz elétrica brasileira.

A entidade exige ainda o cancelamento de ofertas de blocos de exploração pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a interrupção de processos ligados ao fraturamento hidráulico no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O governo trabalha com a meta de apresentar a versão consolidada do mapa do caminho durante a COP32, programada para ocorrer em 2027.

O grupo interministerial responsável terá prazos prorrogáveis para finalizar as diretrizes definitivas.

O debate expõe a complexidade do cenário nacional, em que a busca pela segurança energética ainda esbarra em fortes incentivos às fontes tradicionais, desafiando a urgência da agenda de descarbonização global.

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