O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico projeta segurança para 2026, mas mantém alerta sobre o uso estratégico de termelétricas e de Itaipu em picos de demanda.
As condições operativas do Sistema Interligado Nacional (SIN) iniciaram o período seco sob uma perspectiva mais otimista. Com a recuperação expressiva dos níveis dos reservatórios, impulsionada pelas precipitações ocorridas em junho, o cenário para o atendimento energético do país ao longo de 2026 apresenta maior solidez, especialmente após a recomposição dos estoques hídricos na região Sul.
Entretanto, o planejamento para os próximos meses exige cautela. Durante a reunião ordinária do CMSE realizada nesta quarta-feira, 1º de julho, foi reforçado que, embora o armazenamento global dos reservatórios tenha atingido a marca de 71%, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mantém planos para o despacho de usinas térmicas como medida complementar caso o país enfrente picos elevados de carga ou variações climáticas atípicas.
Estratégia para o segundo semestre
O monitoramento aponta que a gestão hídrica passará pela otimização constante das hidrelétricas localizadas no rio São Francisco, além de uma utilização mais estratégica do reservatório de Itaipu. A prudência é justificada pelas projeções hidrológicas, uma vez que, apesar da melhora, a Energia Natural Afluente (ENA) ainda encerrou junho abaixo das médias históricas em todos os subsistemas.
Outro ponto de atenção no radar das autoridades é o fenômeno El Niño. Especialistas do Cemaden alertaram sobre a alta probabilidade de o evento climático ocorrer no segundo semestre de 2026, com potencial para atingir intensidades de moderada a severa, o que exige um monitoramento rigoroso das bacias hidrográficas nos próximos meses.
“Apesar da melhora no armazenamento, o planejamento operativo segue focado em garantir a segurança do suprimento através de todas as fontes disponíveis, priorizando a estabilidade do sistema diante da volatilidade do clima”, pontuou um dos integrantes do colegiado durante o encontro.
Panorama financeiro e exportação
Além dos aspectos técnicos da rede, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apresentou dados financeiros sobre o mercado de curto prazo. Em maio, a liquidação alcançou R$ 2,64 bilhões, com um índice de inadimplência registrado em R$ 424,40 milhões.
O intercâmbio internacional também foi pauta da reunião. Nos últimos meses, o foco das exportações deslocou-se para a produção termelétrica, que enviou uma média superior a 1.100 MW para a Argentina em junho, enquanto o despacho de energia proveniente de fontes estritamente hídricas para o exterior foi zerado, reforçando o uso do parque térmico como suporte regional.





















