O CMSE projeta a necessidade de reforçar a geração via usinas termelétricas diante de possíveis variações climáticas e aumento da demanda de energia previstos para o segundo semestre de 2026.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) avaliou, durante reunião realizada nesta quarta-feira (1º), a estratégia operacional para os próximos meses. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sinalizou que o acionamento complementar de plantas termelétricas poderá ser requisitado caso o país enfrente picos de consumo ou condições meteorológicas desfavoráveis, visando manter a estabilidade do suprimento nacional.
A atenção do setor está voltada para a influência do fenômeno El Niño, que apresenta alta probabilidade de incidência no segundo semestre de 2026. Segundo análises do CMSE, as expectativas indicam um evento climático de magnitude forte ou muito forte, o que exige um monitoramento rigoroso das fontes de energia limpa e hídrica para garantir o equilíbrio do sistema.
Impacto nas tarifas e gestão de reservatórios
A utilização dessa modalidade de geração térmica, que possui custo operacional mais elevado, já impacta o orçamento dos brasileiros. Em virtude do despacho preventivo dessas usinas, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) confirmou a permanência da bandeira tarifária amarela durante o mês de julho. Na prática, isso significa um custo adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos pelos usuários conectados ao SIN (Sistema Interligado Nacional).
Apesar das medidas de contingência, o colegiado reforçou que o fornecimento de eletricidade permanece garantido para todo o ano de 2026. A confiança na segurança energética é sustentada pelo nível dos reservatórios, que apresentaram recuperação expressiva em junho, especialmente na Região Sul e na bacia do rio Iguaçu.
Panorama do Sistema Interligado Nacional
Ao fechar o mês de junho, o armazenamento total do SIN atingiu a marca de 71%, um nível considerado satisfatório pelos especialistas. A distribuição hídrica mostra resiliência em diversas regiões: 66% no Sudeste e Centro-Oeste, 63% no Sul, 89% no Nordeste e 95% na região Norte. Essas reservas, combinadas com a gestão otimizada de hidrelétricas como as do rio São Francisco e o uso estratégico de Itaipu, formam a base da estratégia para enfrentar os desafios climáticos previstos pelo governo.
“O atendimento eletroenergético do país está assegurado”, reforçou o comitê, destacando que a flexibilidade operacional será a chave para transitar pelo período de incertezas climáticas sem comprometer a estabilidade do sistema.























