O avanço da inteligência artificial impulsionou um salto de 18% nas emissões de carbono do Google em 2025, tornando a meta de neutralidade climática da companhia ainda mais difícil.
A gigante da tecnologia Google enfrenta um dilema crescente entre a inovação tecnológica e o compromisso com a sustentabilidade. O relatório mais recente da empresa revelou que suas emissões de gases de efeito estufa cresceram 18% ao longo de 2025, atingindo a marca de 14,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. Esse volume é expressivo e equivalente a quase toda a poluição gerada pela cidade de São Paulo durante o ano de 2024.
O impacto ambiental é uma consequência direta da expansão acelerada dos sistemas de inteligência artificial. Para sustentar a operação dessas tecnologias, a empresa tem exigido uma demanda massiva de energia em data centers, o que coloca sob pressão a meta estabelecida em 2021 de neutralizar todas as emissões da corporação até o final da década.
O desafio do Escopo 3
A maior parte da poluição, cerca de 80%, está alocada no chamado escopo 3 — que engloba toda a cadeia de valor da big tech. O setor registrou um crescimento de 25% em 2025, impulsionado majoritariamente pela intensa construção de infraestrutura física, como novos centros de dados, e pela fabricação de hardwares de ponta.
“Reconhecemos que nosso impacto climático tem crescido junto com o crescimento sem precedentes da IA, e estamos trabalhando ativamente para minimizar esse impacto.”
Além dos gases de efeito estufa, o consumo de recursos hídricos também disparou. Houve um aumento de 37% na utilização de água nos centros de processamento, totalizando 40 milhões de litros em 2025. A gestão da empresa admite que o ritmo de consumo de água deve se manter elevado, exigindo estratégias de reposição mais ágeis.
Limites da sustentabilidade na era da IA
O Google argumenta que, sem as estratégias de descarbonização adotadas, o cenário seria cinco vezes pior. A empresa alega ter evitado o lançamento de 58 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera através de melhorias na eficiência energética. Contudo, o documento reconhece a complexidade da situação atual:
“Continuamos profundamente comprometidos com nossa estratégia climática, mas ficou claro que alcançar nossa ambição climática é mais complexo e desafiador do que nunca.”
O setor de tecnologia como um todo observa uma tendência preocupante. Recentemente, a Amazon também reportou um aumento de 16% em suas emissões, reforçando que o uso desenfreado de IA tem sido um entrave comum para as grandes companhias que buscam reduzir seu impacto ambiental. O cenário sugere que a corrida pela liderança em IA exigirá, nos próximos anos, investimentos pesados em energia limpa e tecnologias de refrigeração mais sustentáveis para não comprometer as metas climáticas globais.























