A Serena Energia superou desafios operacionais no segundo trimestre de 2026, reportando Ebitda ajustado de R$ 501,9 milhões, mesmo enfrentando restrições severas no escoamento de energia renovável.
A Serena Energia apresentou um balanço robusto no segundo trimestre de 2026, destacando a resiliência de seu modelo de negócio diante de obstáculos climáticos e logísticos. Embora o volume total de energia gerada tenha atingido 2.214 GWh — uma queda de 6,4% na comparação anual —, a companhia conseguiu expandir seu Ebitda ajustado em 19%, alcançando R$ 501,9 milhões.
O desempenho foi fortemente impactado pelo curtailment, fenômeno em que o Operador Nacional do Sistema (ONS) determina a interrupção temporária da geração para garantir a estabilidade da rede. Somado a condições climáticas menos favoráveis, esse cenário resultou em uma perda de 9,3% na produção eólica, afetando diretamente a margem bruta da empresa.
Desafios operacionais e ativos estratégicos
O complexo eólico Delta foi o ponto de maior atenção no relatório, registrando uma redução de 183 GWh em sua produção. O resultado reflete tanto as restrições de escoamento no sistema quanto a variabilidade natural da “safra dos ventos” em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, o parque eólico Goodnight apresentou um desempenho positivo, com incremento de 39 GWh. Já na matriz hidrelétrica, a retração de 26 GWh foi justificada por uma decisão estratégica da companhia: o desinvestimento na PCH Pipoca, movimento que faz parte do reordenamento do portfólio da geradora.
Recuperação financeira e eficiência
Apesar das adversidades no sistema elétrico, a Serena demonstrou avanços significativos na sua saúde financeira. O prejuízo líquido consolidado recuou 23% em relação a 2025, fechando em R$ 26,7 milhões. Na métrica ajustada, o valor foi de R$ 49 milhões, consolidando uma tendência de recuperação na comparação com o primeiro trimestre do ano.
Para explicar o salto no Ebitda, a empresa ressaltou que a estratégia comercial foi fundamental. Como detalhado pelo management da companhia:
“O incremento de R$ 126 milhões no balanço energético foi o fator determinante para compensar a pressão de R$ 29 milhões observada no resultado da nossa unidade de comercialização de energia.”
O futuro da Serena segue atrelado à capacidade do setor em resolver os gargalos de transmissão que limitam a energia eólica brasileira. Com a estabilização das operações e o foco em ativos de alta performance, a empresa busca consolidar sua posição no mercado de fontes renováveis, mantendo a disciplina financeira frente a um cenário de restrições de rede que ainda desafia diversos players do segmento.






















