BTG Pactual assume usinas solares da Thopen após execução de garantias em recuperação judicial.
O cenário de energia renovável no Brasil testemunha uma nova dinâmica com a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) da transferência integral de três usinas solares de geração distribuída (GD) da Thopen Energia para o BTG Pactual.
A decisão, que ocorreu sem a imposição de restrições, marca um desdobramento significativo da recuperação judicial do grupo Thopen, que declarou um passivo de R$ 4,56 bilhões.
A operação não se configura como uma aquisição convencional. Em vez disso, trata-se da execução de garantias financeiras que o BTG Pactual havia concedido para assegurar o cumprimento das obrigações da Thopen perante seus credores.
Com o não cumprimento dessas obrigações, o banco agora detém 100% do controle das três Sociedades de Propósito Específico (SPEs) envolvidas: Solargold Espírito Santo SPE, Usina Solar Thopen 18 SPE e Usina Solar Thopen 19 SPE.
Os ativos em questão estão localizados estrategicamente no Espírito Santo e no Piauí, com foco na geração de energia solar fotovoltaica sob o regime de geração distribuída. A aprovação pelo Cade valida a transação do ponto de vista concorrencial, permitindo que o BTG Pactual expanda sua atuação no promissor mercado de energia solar distribuída.
Este movimento sublinha a crescente participação de instituições financeiras na reestruturação de ativos no setor energético. A execução de garantias torna-se um mecanismo relevante para a gestão de riscos e a preservação do valor de projetos, especialmente em cenários de recuperação judicial.
Para a Thopen Energia, a transferência representa um ajuste em seu portfólio de ativos como parte de sua reorganização financeira.
A consolidação no setor de geração solar, impulsionada pelo rápido crescimento da capacidade instalada, tem levado a uma maior complexidade nas estruturas de financiamento e investimento.
A entrada de players como o BTG Pactual no controle direto de empreendimentos solares é uma estratégia para gerenciar exposições de crédito e manter a operacionalidade dos projetos, reconfigurando o panorama de propriedade de ativos renováveis no país.

















