O mercado imobiliário mostra sinais de aquecimento em julho, com alta nos preços, mas o ritmo de valorização em 12 meses segue em desaceleração.
O setor imobiliário residencial brasileiro apresentou um cenário de dualidade em julho. Enquanto os preços registraram um avanço mais expressivo em relação ao mês anterior, a tendência de desaceleração na valorização acumulada ao longo de um ano se manteve firme. Este comportamento foi capturado pelo Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), um termômetro importante para o setor, compilado pela Abecip.
Os dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança apontam que os valores dos imóveis residenciais cresceram 0,61% em julho, um salto considerável em comparação com os 0,38% registrados em junho. Contudo, essa aceleração mensal não se reflete no panorama de longo prazo.
A variação acumulada em 12 meses encerrou julho em 15,78%, marcando o quarto mês consecutivo de desaceleração. No mês anterior, esse índice estava em 17,49%. No consolidado de janeiro a julho de 2026, a alta acumulada atingiu 5,64%, ficando abaixo dos 8,25% observados no mesmo período de 2025.
Capitais Divergem em Ritmo de Valorização
A análise por capitais revela um quadro heterogêneo. Porto Alegre liderou os aumentos mensais, com uma valorização de 2,28%. Goiânia (1,55%) e Recife (1,45%) também se destacaram positivamente. Em contrapartida, Salvador foi a única capital a registrar queda nos preços dos imóveis em julho, com uma retração de 0,16%.
Quando olhamos para o acumulado em 12 meses, Recife se sobressai com a maior valorização do país, atingindo 27,12%. Curitiba (26,15%) e Salvador (20,80%) seguem na sequência. Na região Sudeste, o Rio de Janeiro apresentou alta de 0,90% no mês, Belo Horizonte avançou 0,70%, enquanto São Paulo desacelerou para 0,25%. No acumulado do ano, São Paulo registrou 4,73%, Rio de Janeiro 4,32% e Belo Horizonte 3,66%.
Imóveis Superam Indicadores Econômicos
Comparado a outros importantes indicadores econômicos, o desempenho do mercado imobiliário em 12 meses até julho foi robusto. A alta de 15,78% do IGMI-R superou significativamente o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que ficou em 6,40%; o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), com 5,08%; e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou 4,44%.
Ao descontarmos o efeito da inflação, medida pelo IPCA, os imóveis ainda proporcionaram um ganho real de aproximadamente 10,9% aos seus investidores em um período de 12 meses, demonstrando a resiliência do setor como reserva de valor.
A dinâmica observada em julho sugere um mercado em transição, onde a performance mensal ganha fôlego, mas a sustentabilidade desse ritmo de alta em um horizonte mais longo ainda é um ponto de atenção para analistas e investidores do setor imobiliário.
















