A Eneva se desliga do carvão e foca em gás natural, consolidando sua atuação em infraestrutura energética no Nordeste.
A transição para fontes de energia mais limpas ganha um novo capítulo com a recente movimentação da Eneva. A companhia anunciou a concretização de um acordo estratégico com a Diamante Energia, marcando seu definitivo adeus à geração de energia a carvão.
A operação envolve a transferência da termelétrica Porto do Itaqui para a Diamante Energia e consolida a posição da Eneva no promissor hub de gás natural do Pecém, no Ceará.
Este movimento estratégico da Eneva sinaliza um claro redirecionamento em seu portfólio, com um foco renovado e ampliado na exploração do potencial do gás natural.
A venda de ativos a carvão, como a UTE Pecém II, já anunciada anteriormente, e agora a Porto do Itaqui, libera capital e permite à empresa concentrar seus investimentos e expertise no desenvolvimento de projetos de gás.
Desinvestimento em Carvão e Reforço em Gás
O acordo com a Diamante Energia prevê que a Eneva receberá integralmente a participação na Porto do Pecém Transportadora de Minérios (PPTM).
Além disso, a transação inclui um pagamento em dinheiro de R$ 400 milhões, com a possibilidade de um valor adicional contingente que pode chegar a R$ 467 milhões, dependendo de fatores como o início do suprimento da UTE Porto do Itaqui em leilões de capacidade.
Esta permuta, que ainda aguarda aprovação do Cade, representa uma saída completa da Eneva do setor de geração a carvão.
A companhia já havia vendido a UTE Pecém II para a Diamante Energia por R$ 748,4 milhões, numa operação que também visava realocar capital para o crescimento futuro.
O Papel Estratégico do Hub de Gás no Pecém
A aquisição total da PPTM pela Eneva fortalece sua presença e participação no Complexo Industrial do Pecém. A PPTM será um pilar fundamental na construção de um terminal de importação, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito (GNL).
Este terminal terá capacidade para escoar até 14 milhões de m³ por dia, adicionando uma peça crucial à infraestrutura energética da região.
Este movimento alinha-se diretamente com a estratégia da Eneva de replicar o sucesso de seu modelo de negócios em hubs de gás, como o já consolidado Hub Sergipe.
No Sergipe, a empresa opera a UTE Porto de Sergipe I, uma térmica a gás com 1,6 GW de capacidade, e um terminal de GNL com capacidade de regaseificação de 21 milhões de m³ por dia.
A conexão do Hub Sergipe à malha de transporte da TAG desde 2024 permitiu à Eneva expandir sua atuação na comercialização de gás natural.
Uma fonte interna da Eneva afirmou:
Estamos entusiasmados com a consolidação da nossa participação no Complexo do Pecém. Este movimento nos permite acelerar nossa estratégia de crescimento no setor de gás natural, aproveitando as sinergias e a infraestrutura existente para oferecer soluções energéticas integradas e sustentáveis.
Diamante Energia Amplia Portfólio a Carvão
Para a Diamante Energia, a aquisição da Porto do Itaqui representa um fortalecimento significativo em sua atuação no segmento de geração a carvão.
A empresa já detém a Pecém I (720 MW) e, com a recente conclusão da compra da Pecém II, passa a controlar ambas as usinas.
Soma-se a isso o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, o maior da América Latina com 857 MW de capacidade instalada.
A Diamante Energia também optou por não exercer a opção de adquirir 30% dos projetos de geração do Hub Ceará, resultando no cancelamento deste acordo.
Com estas movimentações, o cenário energético brasileiro testemunha uma reconfiguração importante, com empresas estratégicas realinhando seus portfólios para se adequarem às demandas por uma matriz energética mais limpa e flexível, onde o gás natural assume um papel de destaque como combustível de transição.
















