O grupo Bolognesi continua como o principal responsável pela inadimplência no setor elétrico, concentrando mais de 75% dos valores não quitados na liquidação de julho do MCP.
A liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo (MCP) referente ao mês de julho evidenciou a persistência de um desafio antigo para a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Do total de R$ 433,72 milhões em débitos acumulados no período, cerca de R$ 328,44 milhões estão atrelados a pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) do grupo Bolognesi.
Embora o montante seja expressivo, o impacto imediato desses valores no mercado está sob uma trava regulatória. Graças a um despacho do diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa, os efeitos da inadimplência do grupo permanecem suspensos. A diretoria da agência ainda precisa deliberar sobre o mérito do recurso que discute essa dívida bilionária.
Panorama da inadimplência efetiva
Ao removermos os passivos com efeitos suspensos da Bolognesi e os valores em parcelamento, a inadimplência efetiva do sistema foi de R$ 98,99 milhões em julho. Este número representa uma leve redução de 3,4% na comparação com os dados observados em junho.
Apesar da pequena melhora, a concentração de débitos entre os principais agentes continua alta. Empresas em recuperação judicial lideram o ranking de pendências, com destaque para a 2W Comercializadora Varejista (R$ 34,13 milhões), seguida pela Electra Comercializadora Varejista (R$ 28,30 milhões), Brasil Telecom/Oi (R$ 15,03 milhões) e Boven Comercializadora Varejista (R$ 9,89 milhões). Juntas, essas quatro companhias respondem por 88% da inadimplência real do mercado no mês.
A origem do impasse no GSF
O débito do grupo Bolognesi é um desdobramento de longas batalhas judiciais envolvendo o GSF (Risco Hidrológico). As cinco PCHs do grupo buscaram, via justiça, limitar o impacto do MRE (Mecanismo de Realocação de Energia) em seus resultados. Contudo, em dezembro de 2025, o TRF1 reverteu essa proteção, permitindo a retomada da cobrança pela CCEE.
Sobre a tentativa de negociação, a câmara não cedeu aos pedidos de parcelamento estendido:
A câmara rejeitou a suspensão e ofereceu parcelamento em até 12 parcelas, o que levou o grupo a recorrer à diretoria da Aneel, onde obteve o efeito suspensivo provisório enquanto o caso aguarda julgamento.
A área técnica da agência, representada pela SGM (Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica), já se posicionou contrária ao pedido do grupo em abril, reforçando que os procedimentos da CCEE estão alinhados às regras vigentes. O processo está atualmente sob a relatoria da diretora Agnes da Costa e, apesar de ter entrado na pauta da diretoria em julho, o caso segue sem uma definição final.
Com o cenário estagnado, a expectativa é que a resolução desse passivo — que se mantém na casa dos R$ 328 milhões desde maio — dependa da conclusão do rito processual na Aneel. Enquanto isso, o mercado segue monitorando os impactos do MRE e a saúde financeira dos comercializadores envolvidos.














