O avanço do El Niño elevou o consumo de energia em supermercados brasileiros em 3,8% em agosto, impulsionando a demanda por refrigeração e climatização.
O cenário climático imposto pelo El Niño está redefinindo a paisagem do consumo de energia no Brasil, especialmente no setor de varejo alimentar. Uma análise detalhada, conduzida pela NEO Estech, revela um aumento expressivo de 3,8% na demanda total de energia por supermercados em agosto, em comparação com o mês anterior. Este incremento, observado em mais de 82% das instalações monitoradas, acende um alerta sobre a necessidade urgente de estratégias de eficiência energética e sustentabilidade para mitigar os impactos desse fenômeno.
O ponto mais crítico desse cenário é o impacto direto sobre os sistemas essenciais para a operação do setor. O ar-condicionado, por exemplo, registrou um salto médio de 29% no consumo entre julho e agosto, enquanto a refrigeração comercial, vital para a conservação de alimentos, viu sua demanda crescer 5%. Tais elevações não apenas refletem o aumento da temperatura, mas também ressaltam a pressão sobre a infraestrutura e os custos operacionais desses estabelecimentos.
Aumento da Demanda em Sistemas Críticos
A pesquisa da NEO Estech, que abrange uma amostra representativa de mais de 52% do varejo alimentar nacional, incluindo gigantes como Carrefour, Assaí e Atacadão, demonstra que o calor intensificado pelo El Niño sobrecarrega diretamente os sistemas de climatização. Além do aumento no uso de ar-condicionado e refrigeração, os alertas de condensação, indicativos de maior esforço dos equipamentos, também subiram 8,3%. Este panorama exige uma revisão profunda das práticas de gestão energética e um foco maior na resiliência operacional.
Perspectivas Climáticas e Desafios Futuros
As projeções climáticas divulgadas pelo INMET, com base em dados do Climate Prediction Center (CPC/NOAA), indicam que há mais de 90% de probabilidade de que o período de setembro a novembro deste ano registre um evento de El Niño de forte intensidade.
Iniciado em junho, o fenômeno deve persistir até, pelo menos, março de 2027, sinalizando um desafio prolongado para a energia limpa e a sustentabilidade no comércio. A previsão de continuidade do cenário climático impõe a necessidade de ações de longo prazo para a economia de energia.
Desperdício e Soluções Propostas
A análise da NEO Estech identificou que quase um quarto (22,6%) das instalações avaliadas apresentava algum tipo de desperdício de energia.
As causas são variadas e incluem equipamentos operando fora dos parâmetros ideais, horários de funcionamento inadequados, setpoints incorretos e falhas na manutenção preventiva. Para combater essas perdas, a empresa recomenda que os supermercados estabeleçam linhas de base de consumo por loja e por sistema, considerando variáveis como temperatura externa e horários de pico, além de intensificar a manutenção em componentes cruciais como condensadores, compressores e sistemas de ventilação.
Conforme destacado em outro relatório:
GreenYellow reduz conta de energia de seis supermercados em 24%
Diante do aumento contínuo da demanda por energia devido ao El Niño, a gestão energética torna-se não apenas uma medida de economia de custos, mas um pilar fundamental para a sustentabilidade do setor de supermercados.
Investir em tecnologias mais eficientes, realizar manutenções proativas e monitorar constantemente o consumo são passos cruciais para garantir a resiliência operacional e ambiental, adaptando-se às novas realidades climáticas e avançando em direção a um futuro com mais energia limpa.
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