CCEE propõe fundo para cobrir perdas por inadimplência no mercado de energia

CCEE propõe fundo para cobrir perdas por inadimplência no mercado de energia - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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A CCEE avança em uma nova proposta para blindar o mercado de energia, criando um fundo de reserva para proteger contra perdas por inadimplência. A medida visa estabilizar o setor.

O setor elétrico brasileiro, em constante evolução, está prestes a ganhar uma camada adicional de segurança. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) está desenvolvendo ativamente uma proposta robusta para a criação de uma reserva financeira. O objetivo central é mitigar os riscos associados à inadimplência de agentes no mercado, garantindo maior estabilidade e confiança nas operações de compra e venda de energia.

Essa iniciativa, que será submetida à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), representa um passo crucial na agenda de segurança de mercado da CCEE, iniciada em 2021. A proposta detalhada, discutida recentemente em um comitê especializado, visa introduzir mecanismos mais eficientes para lidar com perdas financeiras, protegendo o sistema como um todo.

Nova Reserva Financeira para o Mercado de Energia

A essência da proposta da CCEE reside na exigência de que cada agente do mercado mantenha uma reserva financeira calculada individualmente. Este valor será determinado com base no perfil de risco de cada participante, considerando seu histórico de liquidações, nível de alavancagem e potencial aumento da exposição financeira após eventuais cortes de contratos.

Além do risco individual, a reserva será ajustada por uma parcela variável, atrelada a indicadores macro do mercado.

Fatores como a taxa de inadimplência no Mercado de Curto Prazo (MCP), a volatilidade dos preços futuros, as flutuações do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e as disparidades de preços entre os submercados serão considerados na metodologia de cálculo.

Essa metodologia ainda está em fase de aprofundamento.

Mecanismos de Proteção em Seis Camadas

A estrutura de proteção delineada pela CCEE prevê uma sequência de seis mecanismos para absorver os impactos de uma inadimplência no MCP. O primeiro recurso a ser acionado seria a garantia financeira individual do agente. Em seguida, entraria a nova reserva prudencial, também composta por recursos próprios do participante.

Caso esses valores sejam insuficientes, o plano contempla o corte de contratos e a utilização de recursos oriundos do Processo Sancionador de Monitoramento (PSM).

Apenas em fases posteriores seriam mobilizadas as reservas dos demais participantes.

Como último recurso, seria acionado o loss sharing, que consiste no rateio das perdas remanescentes entre os agentes.

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Um especialista do setor de regulação energética destaca:

Esta nova estrutura de salvaguardas reforça o compromisso com a resiliência do mercado de energia. Ao alinhar as reservas financeiras aos riscos individuais e coletivos, estamos criando um ambiente mais seguro e previsível para todos os participantes.

Avanços Paralelos e Próximos Passos

A discussão sobre essas salvaguardas financeiras caminha lado a lado com o aprimoramento do Monitoramento Prudencial, sistema que acompanha a exposição financeira dos agentes. Este monitoramento, que se encontra em período de testes desde 2023, busca identificar e quantificar riscos como os de crédito, modulação e diferenças de preços entre os submercados.

A CCEE informou que a minuta da proposta de fundo e suas camadas de proteção está sendo avaliada por áreas técnicas e pelo comitê, com o objetivo de receber contribuições antes de ser formalmente encaminhada à Aneel até novembro.

A implementação da estrutura deve ocorrer de forma gradual, começando por um período de testes sem efeitos financeiros diretos.

Para então avançar para a aplicação dos mecanismos que envolvem recursos próprios dos agentes e, finalmente, a avaliação do compartilhamento de perdas.

Essas medidas, juntamente com o desenvolvimento do Processo Sancionador de Monitoramento (PSM), que definirá as ações para irregularidades e situações de risco, consolidam os pilares da segurança de mercado da CCEE: critérios de entrada e saída, monitoramento prudencial, salvaguardas e processo sancionador.

As próximas reuniões do comitê, agendadas para os meses seguintes, aprofundarão estudos sobre a metodologia das reservas, testes de estresse e a redução do calendário de contabilização e liquidação.

Tudo isso garantindo que o mercado energético brasileiro esteja cada vez mais protegido e transparente.

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