A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) viabilizou a expansão de infraestrutura tecnológica no interior paulista, autorizando a conexão de novos projetos de data centers da Ascenty à rede nacional de energia.
O sinal verde do órgão regulador contempla unidades localizadas em Campinas e Vinhedo, cidades que se consolidam como polos digitais.
Com uma demanda estimada de 297 MW até 2029, a viabilização dos empreendimentos foi condicionada à análise técnica favorável do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e à formalização contratual para o uso do sistema de transmissão.
A iniciativa reforça a corrida por capacidade energética para atender à crescente demanda por processamento de dados.
Contudo, a operação está vinculada a marcos regulatórios e ao cronograma de obras de infraestrutura elétrica.
Detalhes das conexões e exigências técnicas
No caso do projeto sediado em Campinas, o acesso à rede ocorrerá pela subestação homônima, atualmente sob operação da Axia Energia.
O plano envolve a construção de uma linha de 500 kV com extensão de dois quilômetros, projetada para absorver um montante de 150 MW.
Para as unidades de Vinhedo, o desenho técnico é compartilhado. Os projetos 1, 2, 3, 4 e 5 utilizarão uma futura subestação própria e se conectarão à rede por meio do seccionamento da linha de transmissão Itatiba-Bateias.
A carga será escalonada, começando com 75 MW em 2029 e somando novos blocos de demanda ao longo dos meses subsequentes.
Um ponto de atenção crucial em todas essas autorizações é a dependência da subestação Santana.
O ONS destacou que, embora as novas cargas sejam tecnicamente viáveis, a rede regional opera com tensões críticas que exigem a conclusão das obras de reforço previstas para que o sistema suporte o incremento no consumo.
“A diretoria da agência reiterou que a simples emissão de pareceres de acesso pelo operador não garante, por si só, uma reserva definitiva de capacidade no sistema elétrico nacional.”
Cenário regulatório para o setor
Enquanto a Ascenty avança com suas conexões, o setor de data centers enfrenta definições importantes sobre as regras de acesso.
Recentemente, a Aneel encerrou um litígio envolvendo a empresa Odata. A companhia desistiu de um recurso no qual tentava garantir prioridade de conexão para seus projetos em Sumaré e outras localidades.
A posição consolidada do regulador reforça que, sem a formalização do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (Cust), as empresas não possuem um direito adquirido sobre a capacidade da rede.
Essa postura visa organizar o uso do sistema, evitando que solicitações em fase preliminar bloqueiem o desenvolvimento de outros projetos essenciais para a expansão da carga no país.
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