Governo Lula aprova regra que dispensa licença ambiental para pesquisa de minerais críticos

Exploração de níquel nas imediações da cidade de Barro Alto, em Goiás, uma das maiores áreas de extração do minério no Brasil. Créditos: Pedro Ladeira - 22.ago.25/Folhapress
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O governo federal prepara uma nova regulamentação que desobriga o licenciamento ambiental para etapas iniciais de pesquisa mineral, visando destravar investimentos em insumos estratégicos para a transição energética.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está na fase final de elaboração de uma normativa nacional que visa simplificar a exploração mineral no Brasil. A proposta, articulada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, propõe a dispensa de licenciamento ambiental para atividades de pesquisa de campo, desde que não envolvam a extração ou comercialização de minérios.

O movimento é visto como uma peça-chave para impulsionar a descoberta de reservas de minerais críticos, como níquel, nióbio e terras raras, além de insumos essenciais para o agronegócio, como potássio e fosfato. Atualmente, a disparidade nas exigências estaduais gera um gargalo que atrasa a prospecção de novas jazidas no território nacional.

Padronização para mitigar a insegurança jurídica

A falta de um regramento federal único cria um cenário de incertezas. Segundo dados do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), a maioria dos estados brasileiros não possui critérios claros de classificação de risco para o início da sondagem. Isso resulta em processos burocráticos desiguais, onde mineradoras enfrentam exigências variadas que desestimulam novos aportes.

Para resolver o que o governo chama de “limbo normativo”, a nova regra enquadrará as atividades de sondagem e prospecção como de “risco nível 1”. De acordo com a Lei da Liberdade Econômica, essa categoria representa o menor impacto ambiental possível, permitindo que a pesquisa ocorra com maior agilidade e previsibilidade para o investidor.

O MME afirma:

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“A iniciativa visa favorecer, sobretudo, a pesquisa de minerais críticos e estratégicos que estão entre os minerais relevantes para a transição energética, a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico do país.”

Limites rígidos e proteção ambiental

Embora a dispensa do licenciamento seja o ponto central da medida, o governo reforça que não se trata de uma liberação irrestrita. O texto da resolução estabelece condicionantes rigorosas: a atividade de pesquisa não poderá envolver a abertura de acessos permanentes, nem permitir o supressão de vegetação nativa em áreas de Mata Atlântica preservada ou gerar qualquer impacto em patrimônio espeleológico, como cavernas.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) esclareceu que a medida busca apenas a uniformização regulatória para fases que não envolvem impacto produtivo. A pasta ressalta:

“A eventual dispensa de licenciamento ambiental não exime o empreendedor da necessidade de obter outras autorizações, licenças ou anuências previstas na legislação.”

Contexto e próximos passos

A decisão acompanha o recente esforço legislativo para tornar o Brasil um player competitivo na cadeia global de suprimentos verdes. No início de setembro, o Senado aprovou um novo marco legal que destina R$ 5 bilhões em incentivos fiscais para a exploração de terras raras e outros materiais estratégicos.

Enquanto a proposta aguarda os últimos trâmites para publicação, órgãos como o Ibama destacam que o enquadramento de atividades de “impacto insignificante” já é uma prática adotada desde 2025. A expectativa é que, com a norma nacional, o Brasil reduza o tempo de tramitação dos processos e ganhe tração em uma corrida global por recursos que são, hoje, os pilares da sustentabilidade energética mundial.

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