O engenheiro Jerson Kelman propõe a modernização da gestão de postes urbanos, sugerindo a adoção de redes neutras para eliminar a poluição visual e os riscos da fiação irregular.
O cenário urbano brasileiro enfrenta um desafio persistente que compromete tanto a estética quanto a segurança das cidades: a desordem na ocupação dos postes de energia. A mistura entre cabos elétricos e uma infinidade de fios de telecomunicações, muitas vezes instalados de forma clandestina ou sem o devido planejamento, criou um emaranhado que dificulta a manutenção e eleva os riscos de acidentes para a população.
Para o renomado especialista Jerson Kelman, a resolução deste impasse exige mais do que apenas fiscalização pontual; é necessário um novo paradigma de governança. O debate atual gira em torno da interpretação do Decreto nº 12.068/2024, que sugere a entrada de um terceiro agente, o chamado “posteiro”, para gerir o uso desses espaços, gerando divergências entre distribuidoras de energia e operadoras de internet.
A alternativa da rede neutra
Uma das soluções mais promissoras discutidas pelo setor é a implementação da rede neutra de fibra óptica. Em vez de permitir que cada provedora de internet instale seus próprios cabos, o modelo propõe uma infraestrutura única e de alta capacidade, compartilhada entre os diversos prestadores de serviço.
Melhor ainda seria acabar com a bagunça atual e instalar uma única infraestrutura de fibra óptica de alta capacidade, a rede neutra. Nesse caso, os múltiplos provedores alugariam frações da capacidade da única rede, dispensando a instalação de cabos próprios.
Além de organizar o espaço urbano, essa tecnologia traria ganhos significativos de eficiência operacional. Embora o investimento inicial para a transição em escala nacional seja estimado na casa das dezenas de bilhões de reais ao longo da próxima década, o ganho em produtividade e a redução da poluição visual justificam a movimentação do mercado rumo a essa infraestrutura de energia limpa e conectividade inteligente.
Segurança jurídica e o fim da pirataria
Um dos maiores gargalos para a limpeza das ruas é a dificuldade de remoção de fios sem autorização. Atualmente, as distribuidoras de energia temem retirar cabos clandestinos devido ao risco de interromper serviços essenciais em hospitais ou delegacias, o que gera insegurança jurídica para as concessionárias.
Para Jerson Kelman, é fundamental estabelecer um marco regulatório que proteja as empresas que realizam a limpeza urbana. Sem uma blindagem legal que permita o corte de conexões irregulares sem o medo de sanções, o setor continuará refém da clandestinidade, que prejudica não apenas as cidades, mas também as operadoras de telecomunicações que atuam dentro das normas legais.
O futuro da infraestrutura urbana depende de uma colaboração mais estreita entre os setores de energia e telecomunicações. O ordenamento do uso dos postes não é apenas uma questão de conveniência técnica, mas uma necessidade urgente para a modernização das cidades brasileiras e a garantia da qualidade dos serviços públicos essenciais para a sociedade.
















