A direita fluminense enfrenta desafios na definição de candidaturas ao Senado, com divisões internas e problemas legais abalando o apoio a figuras-chave, enquanto a esquerda demonstra maior coesão.
A corrida eleitoral pelo Senado Federal no Rio de Janeiro, com duas vagas em disputa, está se configurando como um cenário de intensa turbulência para a direita, a menos de duas semanas do prazo final para as convenções partidárias, que se encerra em 5 de agosto. O estado, historicamente um pilar político para o ex-presidente Jair Bolsonaro, vive um momento de indefinição e racha, impactando diretamente as articulações para as cadeiras do legislativo federal.
A dinâmica atual reflete um embate significativo dentro do Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente, que chegou a cogitar uma chapa pura. A decisão de formalizar a pré-candidatura à reeleição do senador Carlos Portinho, que antes era cotado para a Câmara dos Deputados, é um passo crucial nesse processo. Portinho terá sua candidatura confirmada nesta sexta-feira, em convenção no centro da capital fluminense, mas a segunda vaga na chapa de direita permanece em aberto, aguardando definições que podem envolver aliados do pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro.
Desafios e Desarticulação de Aliados
O panorama da direita fluminense foi abalado por uma série de eventos recentes. A negociação para o apoio de Flávio Bolsonaro ao ex-prefeito de Belford Roxo, Marcelo Canella, do União Brasil, desmoronou após a 6ª fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal. Canella foi acusado de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro no mercado de combustíveis, com valores estimados em R$ 7,6 bilhões.
Esse revés não apenas minou a candidatura de Canella, mas também comprometeu a estratégia de Flávio Bolsonaro de formar uma coalizão com a federação PP-União para a campanha presidencial, já que os partidos optaram pela neutralidade na disputa nacional. A situação de Canella é o segundo caso de um aliado de Flávio impactado por investigações policiais, seguindo o ex-governador Cláudio Castro (PL), que desistiu da corrida eleitoral após ser alvo da PF por supostos desvios em investimentos. Apesar dos obstáculos, há a possibilidade de Canella persistir na candidatura, um desejo do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, que busca o apoio do ex-prefeito para sua própria campanha à Câmara dos Deputados.
Racha Interno e Novas Figuras
As sucessivas baixas desencadearam uma acirrada disputa interna no PL. O deputado federal Carlos Jordy foi um dos nomes que lutou pela indicação ao Senado, mas, a pedido de Flávio Bolsonaro, decidiu recuar nesta quarta-feira e buscar a reeleição para a Câmara.
Em suas redes sociais, Carlos Jordy declarou:
“Acima de qualquer coisa, nós temos que deixar vaidade, egos, orgulhos, projetos pessoais de lado em prol do projeto de resgate da nação com o Flávio Bolsonaro“.
A crise interna chegou a fazer o PL considerar uma chapa única, mas a escolha de Portinho prevaleceu pela sua posição atual. Enquanto isso, o partido mantém negociações com outras legendas em busca de alianças para a disputa presidencial.
Um novo nome que surgiu no páreo é o ex-prefeito do Rio e atual deputado federal, Marcelo Crivella (Republicanos). Embora tenha sido declarado inelegível até 2028 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) por suposto envolvimento no “QG da Propina” durante sua gestão (2017-2020), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu uma liminar suspendendo a inelegibilidade até o julgamento definitivo do caso. Crivella aparece em segundo lugar em algumas pesquisas eleitorais e pode contar com o apoio do ex-governador Anthony Garotinho, cuja pré-candidatura ao Palácio Guanabara foi confirmada pela executiva estadual do Republicanos, aguardando aprovação em convenção.
Cenário da Esquerda
Em contraste com a direita, o campo da esquerda e centro-esquerda fluminense demonstra maior organização e coesão. A ex-governadora Benedita da Silva (PT) lidera as pesquisas de intenção de votos para o Senado.
Uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, realizada no início de julho, indicou 33% das intenções de voto para a petista. Crivella apareceu com 25,9%, em empate técnico com o deputado Pedro Paulo (PSD), da centro-esquerda, que registrou 21,5%. Canella pontuou 21,9%. Uma nova pesquisa da Real Time Big Data, já registrada no TSE, concluiu nesta quinta-feira e aguarda divulgação, o que poderá redefinir o panorama.
A fragmentação da direita no Rio de Janeiro, marcada por desafios internos e jurídicos, cria um cenário complexo e imprevisível para as eleições ao Senado. Enquanto isso, a esquerda, com maior alinhamento de seus quadros e uma candidata bem posicionada nas pesquisas, busca capitalizar a desorganização adversária. A proximidade do prazo final para as convenções promete intensificar ainda mais as articulações e decisões que moldarão o tabuleiro político fluminense.






















