Presidenciáveis: convergências e divergências na transição energética e mineração

Presidenciáveis: convergências e divergências na transição energética e mineração - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
Compartilhe:
Fim da Publicidade

Planos de governo de presidenciáveis revelam consenso em renováveis e minerais estratégicos, mas divergem na proteção ambiental e ritmo da descarbonização.

A corrida presidencial no Brasil naturalmente traz à tona discussões cruciais sobre o futuro do país, e as estratégias para os setores de energia e mineração ocupam um espaço central neste debate. Em um cenário global de busca por sustentabilidade, a forma como o país planeja sua transição energética e o aproveitamento de seus recursos minerais são temas de grande interesse para investidores e entusiastas do setor de energia limpa.

Uma análise recente do Observatório do Clima (OC) sobre os planos de governo dos principais candidatos à Presidência da República revela um panorama com mais pontos de convergência do que divergência nessas áreas. Contudo, enquanto a maioria dos aspirantes ao cargo máximo do país concorda na expansão das energias renováveis e na exploração de minerais críticos, o nível de comprometimento com as salvaguardas socioambientais e a urgência na descarbonização da economia variam significativamente entre eles, delineando as reais apostas para o desenvolvimento sustentável.

Convergências na Agenda Verde

A análise do Observatório do Clima, divulgada recentemente, categoriza as propostas em favoráveis, vagas, duvidosas, contrárias ou não mencionadas, abrangendo 28 itens da agenda socioambiental. No eixo de energia, que inclui o fomento a renováveis e tecnologias de baixo carbono, a maioria dos candidatos, incluindo Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), apresentam propostas consideradas vagas. Isso indica uma visão compartilhada sobre a importância da energia limpa, mas sem detalhes substanciais sobre como impulsioná-la efetivamente.

O consenso se estende à exploração de minerais críticos e terras raras, vistos como alavancas para a próxima fase da industrialização brasileira. A demanda global por esses insumos, essenciais para tecnologias de baixo carbono e setores de alta intensidade tecnológica, posiciona o Brasil em um lugar estratégico na cadeia de valor global.

Descarbonização e o Dilema dos Fósseis

As propostas para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis e um plano de longo prazo para a descarbonização da economia revelam as principais divergências. As proposições do candidato Lula, embora classificadas como “duvidosas” e “vagas” respectivamente, são consideradas ligeiramente melhores que as de seus oponentes, que, em sua maioria, “jogam contra” essa pauta.

Essa “vantagem”, no entanto, é posta em xeque pela política energética em vigor sob a atual administração. O próprio relatório do OC destaca uma aparente contradição: a expansão de fontes renováveis coexistindo com o aumento da produção de petróleo e gás, sem metas ou prazos definidos para reduzir a dependência dos fósseis.

O governo tem combinado um discurso ambicioso no contexto internacional e a expansão das energias renováveis com o aumento da produção de petróleo e gás.

A análise detalha ainda que, enquanto o plano defende a substituição progressiva de combustíveis fósseis por biocombustíveis e a participação em debates internacionais sobre um roteiro para longe dos fósseis, também celebra recordes de produção de petróleo e gás, defendendo investimentos em campos maduros e infraestrutura de gás natural liquefeito.

FIM PUBLICIDADE

Mineração e o Desafio Ambiental

No setor de mineração, a convergência entre os programas se aprofunda na aposta em minerais críticos, mas a discordância reside fundamentalmente nas salvaguardas socioambientais. As propostas de grande parte dos seis candidatos são classificadas como duvidosas, contrárias ou omissas em relação a garantias ambientais, controle, fortalecimento do licenciamento e combate ao garimpo ilegal. Lula e Ronaldo Caiado, por exemplo, empatam com duas menções “vagas” cada nos itens do eixo de mineração.

O plano de Lula, embora focado em agregação de valor no país e controle estatal dos ativos, não detalha o fortalecimento do licenciamento ambiental ou o controle sobre empreendimentos de minerais críticos, segundo o OC. Exige-se uma política que inclua consulta livre, prévia e informada, e licenciamento sem flexibilizações.

Augusto Cury, com o objetivo de transformar o Brasil em produtor de bens de alto valor agregado, propõe uma expansão mineral que “acelera e simplifica” o licenciamento ambiental, o que é visto como um entrave ao controle ambiental. Similarmente, Romeu Zema planeja destravar pedidos de lavra e pesquisa na Agência Nacional de Mineração (ANM), com procedimentos mais rápidos para projetos considerados estratégicos, medida que também “joga contra” o licenciamento.

Por outro lado, Ronaldo Caiado apresenta medidas mais explícitas de controle, como rastreabilidade de minerais e fiscalização de barragens, mas é considerado duvidoso nas salvaguardas por abordar a consulta de forma genérica, sem compromisso expresso com a Convenção 169 da OIT.

Os programas de Flávio Bolsonaro e Renan Santos focam na expansão da atividade sem compromissos equivalentes com agregação de valor ou proteção ambiental. Flávio Bolsonaro defende acelerar projetos e ampliar capital estrangeiro, enquanto Renan Santos propõe um marco para exploração em terras indígenas sem menção à consulta prévia, o que é visto como prejudicial ao controle ambiental e ao licenciamento.

Em síntese, o cenário delineado pela análise do Observatório do Clima mostra que o próximo governo enfrentará o desafio de conciliar o desenvolvimento econômico impulsionado por energias limpas e minerais estratégicos com a urgência das pautas ambientais. A eleição presidencial definirá não apenas a direção da matriz energética e mineral do Brasil, mas também o nível de compromisso do país com uma transição energética justa e um modelo de mineração responsável, alinhado às expectativas globais de sustentabilidade e proteção dos ecossistemas. O debate aponta para a necessidade de propostas mais robustas e claras que garantam a proteção ambiental sem frear o potencial de desenvolvimento.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp

Área de comentários

Seus comentários são moderados para serem aprovados ou não!
Alguns termos não são aceitos: Palavras de baixo calão, ofensas de qualquer natureza e proselitismo político.

Os comentários e atividades são vistos por MILHÕES DE PESSOAS, então aproveite esta janela de oportunidades e faça sua contribuição de forma construtiva.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ASSINE NOSSO INFORMATIVO

Inscreva-se para receber conteúdo exclusivo em seu e-mail, todas as semanas.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Gestão de Usina Solar

ARRENDAMENTO DE USINAS

Parceria que entrega resultado. Oportunidade para donos de usinas arrendarem seus ativos e, assim, não se preocuparem com conversão e gestão de clientes.

Locação de Kit Solar

ASSINE NOSSO INFORMATIVO

Inscreva-se para receber conteúdo exclusivo em seu e-mail, todas as semanas.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade NoBeta

Comunidade Energia Limpa Whatsapp.

Participe da nossa comunidade sustentável de energia limpa. E receba na palma da mão as notícias do mercado solar e também nossas soluções energéticas para economizar na conta de luz. ⚡☀

Siga a gente

Últimas Notícias

Parceria Publicitária

Energia Solar por Assinatura

Publicidade NoBeta