O Brasil intensifica esforços para expandir a Coalizão Aberta de Mercados de Carbono, buscando agregar economias emergentes e consolidar sua liderança na agenda global de precificação de carbono.
A busca por uma economia mais verde e a necessidade urgente de combater as mudanças climáticas impulsionam o Brasil a se posicionar como um ator chave na arquitetura dos mercados globais de carbono. Em um movimento estratégico, o país tem como meta expandir a Coalizão Aberta de Mercados de Carbono, uma iniciativa crucial para acelerar a transição energética e atrair novos parceiros, especialmente nações emergentes, fortalecendo sua voz ao lado de potências como a China e a União Europeia.
Essa coalizão, nascida durante a COP30 em Belém, já reúne importantes players globais, incluindo Alemanha, Canadá, Singapura, França, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido e Turquia. O engajamento brasileiro visa não apenas aumentar o número de membros, mas também garantir a funcionalidade e a interoperabilidade entre os diversos sistemas de precificação de carbono existentes e em desenvolvimento.
Missão Brasileira na China
Uma delegação do Ministério da Fazenda, liderada pela secretária extraordinária do Mercado de Carbono, Cristina Reis, está atualmente na China para a segunda reunião de alto nível da coalizão. O encontro é palco para a apresentação de um plano de trabalho detalhado, que guiará as ações do grupo pelos próximos seis anos.
O foco principal é otimizar a instalação e a conexão entre os mercados, elementos vitais para que os mecanismos de precificação de carbono possam efetivamente mobilizar investimentos para a transição econômica sustentável. A expectativa é que o grupo continue a crescer, com a entrada de novos membros prevista até a COP31, que será realizada na Turquia.
Cooperação Bilateral e o Futuro do SBCE
Paralelamente aos esforços da coalizão, o governo brasileiro está em negociações avançadas com a China para estabelecer uma cooperação técnica bilateral. Esta parceria pode abrir caminhos para o comércio de Resultados de Mitigação Transferíveis Internacionalmente, conhecidos como ITMOs.
A intenção é formalizar um memorando de entendimentos que sirva de base para futuras transações, sinalizando um avanço significativo no comércio de créditos de carbono entre as duas nações. Para o Brasil, este intercâmbio com a China é um passo decisivo, especialmente no momento em que o país finaliza a estruturação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
Com a previsão de que o SBCE inicie suas operações no próximo ano, a experiência e os acordos com parceiros estratégicos são fundamentais para garantir a robustez e a eficácia do futuro mercado nacional de carbono. A ampliação e a convergência dos mercados de carbono são vistas como pilares para destravar o capital necessário para a descarbonização e a sustentabilidade ambiental global.
A estratégia brasileira, ao focar na expansão da coalizão e na cooperação bilateral, demonstra um compromisso com a liderança ambiental e econômica, buscando não apenas se beneficiar dos mercados de carbono, mas também moldar seu futuro. A visão é clara: mercados de carbono mais amplos e conectados são essenciais para um futuro mais sustentável, impulsionando a inovação verde e a resiliência climática.















