A ausência da governadora Celina Leão dominou o debate eleitoral no Distrito Federal, onde candidatos concentraram críticas severas à gestão da saúde pública e discutiram propostas de infraestrutura.
A corrida pelo Palácio do Buriti esquentou na noite desta terça-feira (08), durante o terceiro debate entre os postulantes ao governo do Distrito Federal. Organizado pela Rádio TMC News no espaço Casa Parlamento, o encontro foi marcado por um cenário inusitado: o púlpito destinado à governadora Celina Leão (PP) permaneceu vazio, consolidando a estratégia da candidata à reeleição de evitar confrontos diretos com a oposição.
A ausência da atual chefe do Executivo, entretanto, não poupou a gestão de críticas. Mesmo sem a presença da mandatária, os candidatos José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo), Ricardo Cappelli (PSB), Leandro Grass (PT) e Paula Belmonte (PSDB) direcionaram seus discursos aos problemas do governo atual. O debate, transmitido via YouTube com picos de 800 espectadores por minuto, também sofreu com instabilidades técnicas no áudio que interromperam o ritmo da discussão.
O embate técnico e a saúde como epicentro
Apesar das alianças táticas que surgiram ao longo do evento — como a proximidade entre Arruda e Caputo, e a dobradinha estratégica entre Cappelli e Belmonte —, foi o setor de saúde que ocupou o centro do debate. O grupo apresentou dados que questionam a eficiência do orçamento local, comparando os investimentos da capital federal com estados como Goiás e Piauí.
A fragilidade da rede hospitalar do Distrito Federal é um reflexo de uma gestão que perdeu o controle sobre a execução orçamentária e a valorização do servidor público.
Caminhos para a reestruturação
Os candidatos trouxeram propostas distintas para reverter a crise no sistema público. Enquanto Ricardo Cappelli foi incisivo ao defender a necessidade de uma intervenção direta na pasta logo nos primeiros dias de um eventual governo, José Roberto Arruda focou na urgência da recomposição dos quadros. O ex-governador prometeu a abertura imediata de concursos para repor médicos e profissionais de apoio, visando desafogar os hospitais.
No campo da mobilidade urbana, houve um consenso raro entre os presentes. Todos os postulantes se comprometeram com a expansão da malha metroviária e a modernização digital dos serviços de transporte, destacando a necessidade de maior transparência nos contratos públicos. À medida que o pleito se aproxima, a falta de respostas da governadora e a insistência da oposição sobre a ineficiência administrativa sinalizam que a saúde continuará sendo o maior calcanhar de Aquiles nesta disputa eleitoral.















