Brasil e China fortalecem laços em mercados de carbono, visando COP31 e transações internacionais de créditos ambientais.
Uma missão de alto nível do Brasil à China promete ser um divisor de águas nas discussões sobre créditos de carbono. A secretária extraordinária do Mercado de Carbono, Cristina Reis, lidera os esforços para explorar a possibilidade de Pequim se tornar uma futura compradora de créditos de carbono brasileiros. O objetivo é pavimentar o caminho para um acordo bilateral robusto, com potencial para ser anunciado já na COP31, consolidando a posição do Brasil no cenário global de sustentabilidade.
As conversas ocorrem em um momento crucial, quando o Brasil se prepara para implementar seu próprio mercado regulado de carbono e a China avança na reforma de seu sistema de comércio de emissões. Essa convergência de esforços é vista como um catalisador para o desenvolvimento de mecanismos de precificação de carbono mais eficazes e para a atração de investimentos em energia limpa e redução de emissões.
Avançando nas Negociações Bilaterais
Durante a missão em Wuhan, entre 14 e 18 de setembro, o foco estará em delinear um plano de trabalho para a coalizão liderada por Brasil, China e União Europeia. Esta aliança, responsável por uma parcela significativa das emissões globais, busca a convergência gradual de sistemas de comércio de emissões e uma integração mais profunda dos mercados de carbono. A expectativa é que um memorando de entendimentos (MOU) seja assinado na COP31, marcando um avanço histórico na cooperação internacional.
Um dos pontos centrais das discussões é a potencial compra, pela China, dos chamados Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente (ITMOs). Cristina Reis demonstrou otimismo:
“Queremos testar essa hipótese de os chineses terem interesse em comprar ITMOs brasileiros. Se isso acontecer, o Brasil tem que ser o primeiro a oferecer créditos de alta integridade.”
A possibilidade de o Brasil ser o primeiro país a firmar um acordo específico com a China sobre ITMOs reforça a liderança brasileira em mercados de carbono.
Coalizão de Mercados de Carbono: Um Plano de Trabalho Abrangente
Paralelamente às tratativas bilaterais, a coalizão de mercados de carbono, já com 11 integrantes, definirá seu roteiro de trabalho. Este plano abrangerá desde a contabilidade e monitoramento de emissões até compensações e sistemas de comércio. O objetivo principal é aumentar a interoperabilidade entre os diferentes mercados, facilitando a negociação de créditos de carbono.
Ana Paula Cavalcante, subsecretária de Regulação e Metodologias, explicou:
“A ideia é no começo a gente mapear as diferenças, entender o que todo mundo faz. A segunda fase é alinhar. Na terceira fase, a gente quer chegar numa interoperabilidade que se assemelha a um processo de ligação.”
Essa trajetória, prevista para cerca de uma década, visa consolidar um sistema global mais coeso e eficiente para a precificação do carbono.
Aceleração e Otimismo no Mercado de Carbono Brasileiro
O Brasil também está considerando pedidos do setor privado para antecipar o cronograma de autorização de transações internacionais de créditos de carbono. Contribuições de uma consulta pública indicam a possibilidade de adiantar a verificação de ITMOs, originalmente prevista apenas entre 2031 e 2035. Cristina Reis confirmou:
“Está na mesa. Quem está avaliando as contribuições considera essa possibilidade de adiantar.”
Essa aproximação com a China e o fortalecimento da coalizão global de mercados de carbono representam um impulso significativo para o setor. Como ressaltou Ana Paula Cavalcante, esses movimentos “dão escala para esse mercado e potencializam muito esse fluxo de investimento para um país como o Brasil, que está no processo de promoção de uma reindustrialização com novas bases tecnológicas.” O futuro do mercado de carbono brasileiro e sua integração com o cenário internacional ganham contornos mais promissores.















