Avanço na política de minerais críticos e expansão de projetos de energia renovável trazem à tona alertas sobre o racismo ambiental e a necessidade de uma transição energética socialmente justa e democrática no Brasil.
A aceleração da agenda de transição energética global, embora essencial para o enfrentamento da crise climática, tem levantado questionamentos profundos sobre quem realmente arca com os custos desse processo.
Para a pesquisadora Elisângela Paim, o atual modelo de desenvolvimento, focado em minerais críticos e grandes empreendimentos, corre o risco de aprofundar desigualdades históricas e perpetuar o racismo ambiental se não for conduzido com a devida participação das comunidades afetadas.
O tema ganha destaque no quarto volume da coleção Politizando o Clima: poder, territórios e resistências, iniciativa que reúne pesquisadores da Fundação Rosa Luxemburgo e instituições acadêmicas.
O debate central é que os impactos das mudanças climáticas — como chuvas extremas e eventos extremos — não atingem a sociedade de forma equânime, incidindo com mais severidade sobre populações negras, indígenas e quilombolas, que já enfrentam vulnerabilidades estruturais.
O dilema da transição energética excludente
Um dos pontos mais críticos levantados pela especialista refere-se à implementação de soluções de “energia verde”, como o hidrogênio verde e a exploração de terras raras. A pesquisadora argumenta que, sem um olhar atento aos direitos territoriais, essas iniciativas podem repetir padrões de exploração colonial, trocando a matriz de combustíveis fósseis por formas de extração que ignoram as populações locais.
Um dos consensos emergentes é que não basta discutir emissões de carbono ou novas tecnologias. É necessário investigar quem paga os custos da transição, quem se beneficia das políticas climáticas e quais grupos sociais participam das decisões.
Justiça climática e protagonismo social
A discussão aponta que a sustentabilidade não deve ser medida apenas por índices de redução de emissões, mas pela democratização das decisões sobre bens comuns. Para a pesquisadora, o conceito de “capitalismo verde” pode servir apenas como uma nova roupagem para velhas práticas de dominação territorial, caso não haja uma mudança real na governança desses projetos.
Uma transição verdadeiramente justa exige enfrentar desigualdades históricas, democratizar as decisões sobre energia e bens comuns e garantir que os grupos mais atingidos pela crise climática tenham protagonismo na construção das soluções.
O debate sobre a justiça climática torna-se, portanto, indissociável da luta pela proteção dos territórios.
A transição para uma economia de baixo carbono exige que as políticas públicas integrem a perspectiva de gênero e raça, reconhecendo que a solução para a crise ambiental depende diretamente da superação das estruturas sociais que, historicamente, marginalizam comunidades tradicionais e periféricas.
Os detalhes completos dessa análise estão disponíveis para consulta no site da Fundação Rosa Luxemburgo, servindo como base para futuras discussões sobre o papel do Brasil na nova ordem energética global.
















