Empresa de tecnologia estima que apenas uma fração dos projetos cadastrados chegará à disputa final do certame.
A expectativa para o primeiro LRCAP-BESS (Leilão de Reserva de Capacidade para Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias), previsto para dezembro, aponta para uma contratação significativamente menor do que o volume de projetos inscritos. Segundo Roberto Valer, CTO da Huawei Digital Power Brasil, dos aproximadamente 300 GW que tiveram seus projetos cadastrados, apenas entre 3 GW e 4 GW deverão efetivamente participar da fase competitiva do certame.
Essa projeção, apresentada durante um encontro com a equipe de Research ESG da XP, considera a análise de três filtros cruciais que determinarão a habilitação dos projetos. São eles:
- A avaliação técnica realizada pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética);
- As limitações da rede elétrica, avaliadas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) em aspectos como margem de escoamento, limites de carga e descarga, além dos impactos na estabilidade do sistema;
- As exigências de garantias financeiras, que representará mais um obstáculo para a aprovação.
Mesmo com essa filtragem, Valer considera a meta governamental de contratar 2 GW bastante conservadora, acreditando que a capacidade que superar as barreiras de seleção será suficiente para atingir entre 3 GW e 4 GW.
Desafios e Oportunidades no Mercado de Armazenamento
A indústria de armazenamento de energia por baterias (BESS) no Brasil ainda engatinha, apesar do grande interesse demonstrado no leilão. Atualmente, o país conta com cerca de 1,4 GWh de capacidade contratada, concentrada em aplicações off-grid para suprir comunidades remotas. Em contraste, o mercado global já alcançou aproximadamente 100 GWh em 2025, com forte presença dos Estados Unidos e da China, sendo a maioria sistemas front-of-the-meter.
O leilão de dezembro traz dois pontos de atenção para o mercado. O primeiro é a divisão entre o Produto A, com exigências de conteúdo local, e o Produto B, aberto a equipamentos importados, com a expectativa de que o Produto A concentre a maior parte da contratação. O segundo ponto crítico é a definição da responsabilidade pelo pagamento do Encargo de Reserva de Energia (EER), cuja resolução antes da formalização dos contratos pode impactar o cronograma do certame. A possibilidade de desvincular o encargo da formalização contratual é uma alternativa em discussão, mas que também pode levar a adiamentos.
Expansão em Novos Setores
O futuro do BESS no Brasil promete expansão em diversos setores, indo além das aplicações tradicionais. O segmento comercial e industrial (C&I) é visto como um grande motor de crescimento, impulsionado pela possibilidade de arbitragem de energia – deslocando o consumo para horários de menor tarifa e reduzindo custos.
Outras frentes promissoras incluem o uso de baterias para otimizar investimentos em reforços na rede elétrica, funcionando como alternativa à expansão de infraestrutura de transmissão. A substituição de geradores a diesel em setores como agronegócio e mineração também representa uma oportunidade significativa.
Além disso, a crescente demanda por eletricidade impulsionada pela inteligência artificial pode impulsionar o uso de baterias em data centers, não apenas para garantir o fornecimento em caso de interrupções, mas também para auxiliar no gerenciamento da conexão e nas flutuações da rede. Para a XP, essa combinação de fatores indica que o Brasil está prestes a vivenciar um ponto de virada na adoção de sistemas de armazenamento de energia.















