Energia solar sente o impacto da modulação, mas eólica e hídrica mantêm bons resultados em agosto.
O cenário da geração de energia no Brasil em agosto apresentou um comportamento distinto entre as principais fontes renováveis. Enquanto a energia solar fotovoltaica registrou reduções significativas no seu valor de mercado devido à modulação, as fontes eólica e hídrica conseguiram manter prêmios positivos, indicando uma resiliência e vantagens competitivas em relação à intermitência.
Essa dinâmica reflete a complexa interação entre os padrões de geração de cada fonte e a forma como o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) é calculado ao longo do dia. A Dcide, em seu último levantamento, detalha como essa relação impactou os resultados de cada modalidade.
Desconto na Solar: Uma Realidade em Agosto
A geração solar fotovoltaica sentiu os efeitos da modulação em todos os cantos do país durante o mês de agosto. Em algumas regiões, o desconto chegou a ser expressivo, representando uma parcela considerável do PLD médio mensal. No submercado Norte, por exemplo, a perda foi de R$ 53,55 por megawatt-hora, o que corresponde a mais de 42% do valor médio do PLD local. O Sudeste/Centro-Oeste não ficou muito atrás, com uma redução de R$ 50,71/MWh.
Apesar desses números, a análise da Dcide aponta para uma melhora em relação ao mês anterior. Os descontos aplicados à energia solar foram menores em julho em todas as regiões, com destaque para o Sul e o Sudeste, onde a queda foi mais acentuada. Comparando com agosto do ano passado, a situação também se mostra mais favorável, com reduções nos descontos em praticamente todas as áreas, especialmente no Sul e no Norte.
Eólica Garante Vantagem na Modulação
Diferente da solar, a energia eólica manteve sua trajetória de prêmios positivos em agosto, configurando-se como uma fonte com forte atratividade econômica. Os ganhos variaram entre R$ 5,05/MWh no Sudeste/Centro-Oeste e R$ 9,77/MWh no Nordeste, onde esse prêmio chegou a representar cerca de 7,8% do PLD mensal.
Contudo, a comparação com julho mostra uma leve deterioração nesse desempenho em três dos quatro submercados. Os prêmios diminuíram no Nordeste, Norte e Sul. Apenas no Sudeste/Centro-Oeste houve um avanço, com o índice passando de R$ 4,34/MWh para R$ 5,05/MWh. Já em relação a agosto de 2025, a eólica também viu seus prêmios caírem em algumas regiões, mas o Sudeste/Centro-Oeste se destacou com um salto expressivo, de R$ 0,21/MWh para R$ 5,05/MWh.
Hidrelétricas Lideram Ganhos de Modulação
A geração hidrelétrica se consolidou como a principal beneficiada pela modulação em agosto, apresentando os maiores prêmios entre as fontes analisadas. Os valores oscilaram de R$ 12,75/MWh no Sul a impressionantes R$ 30,98/MWh no Norte, o que significou um ganho de quase 25% sobre o PLD médio da região.
Ainda assim, a comparação com julho revela que os prêmios das usinas hidrelétricas registraram quedas em todos os submercados. No entanto, em relação a agosto do ano passado, houve um crescimento expressivo no Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e, especialmente, no Norte, com um aumento de mais de 87%. A única região a sentir um impacto negativo foi o Sul, com uma retração de quase 48%.
A análise da Dcide evidencia a importância da modulação como um fator que influencia diretamente a rentabilidade das fontes de energia renovável. Enquanto a solar ainda busca otimizar sua posição frente a essa dinâmica, a eólica e a hídrica demonstram, com resultados positivos, a robustez de seus perfis de geração. O futuro da matriz energética brasileira certamente continuará sendo moldado por essas interações complexas.















