A Motiva marca sua estreia na eletromobilidade com um investimento de R$ 5 milhões em infraestrutura de recarga. O primeiro projeto foca em ônibus elétricos em São Paulo, utilizando energia renovável para apoiar a descarbonização dos transportes.
A Motiva, gigante da infraestrutura de mobilidade no Brasil, acaba de oficializar sua entrada no mercado de eletromobilidade. Em um movimento estratégico para diversificar receitas e aproveitar ativos logísticos, a companhia firmou seu primeiro contrato para o serviço de recarga de ônibus elétricos com a Viação Campo Belo, em São Paulo.
Este passo inicial é apenas o começo de uma estratégia de longo prazo que mira transformar a forma como veículos elétricos – desde ônibus urbanos até frotas de aplicativos e logística de longo curso – são abastecidos. A iniciativa posiciona a empresa como um player central na viabilização da transição energética em um dos maiores centros urbanos da América Latina.
Tecnologia e sustentabilidade na prática
Para concretizar este marco, a Motiva investiu R$ 5 milhões na instalação de uma estrutura de ponta no Pátio Guido Caloi, na zona sul paulistana. O espaço conta com 12 carregadores de alta potência, capazes de atender 24 veículos simultaneamente com um ciclo de recarga completo de apenas três horas. O diferencial vai além da velocidade: toda a eletricidade consumida é proveniente de fontes limpas, garantida por Certificados Internacionais de Energia Renovável (I-REC).
“Pela grande expertise que temos em gestão de energia, dado que somos um dos 50 maiores consumidores de energia do País e o segundo maior da Região Metropolitana de São Paulo, temos escala, capacidade financeira e competência técnica para oferecer soluções no setor de eletromobilidade para diferentes perfis de clientes. Para o operador de ônibus, a proposta é simplificar uma operação que envolve várias etapas e fornecedores. Podemos integrar infraestrutura elétrica, carregadores, energia e manutenção em uma única solução, reduzindo a complexidade na transição das frotas”, destaca João Pita, diretor Comercial da Motiva.
Soluções para os gargalos da eletrificação
A eletromobilidade enfrenta desafios significativos, como a escassez de terrenos adequados e limitações nas redes elétricas das garagens tradicionais. A Motiva utiliza sua capilaridade e gestão de concessões — como as linhas 4, 5, 8 e 9 de trens e metrôs — para oferecer áreas estratégicas que facilitam a instalação de eletropostos. Esse modelo reduz a barreira financeira para as empresas de transporte, pois a Motiva assume o aporte inicial e gerencia a operação de ponta a ponta.
Expansão e o futuro do transporte limpo
O horizonte da empresa é ambicioso. Além do transporte público, a Motiva já articula planos para atender ao setor de comércio eletrônico, logística B2B e, futuramente, viagens de longa distância em rodovias. A companhia pretende utilizar suas concessões em corredores cruciais, como o Sistema Anhanguera-Bandeirantes e a Rodovia Presidente Dutra, para criar corredores de recarga rápida.
Esta expansão está alinhada às metas da Coalizão para Descarbonização dos Transportes, da qual a Motiva é cofundadora. Com a meta brasileira de reduzir significativamente as emissões até 2050, a eletrificação da frota surge como a principal alavanca. Ao entregar infraestrutura de energia limpa, a companhia não apenas busca rentabilidade, mas assume um papel protagonista na construção de um ecossistema de transporte mais sustentável e eficiente para o país.















