A Ultragaz inaugurou na Rodovia dos Bandeirantes o primeiro posto de abastecimento de biometano em rodovias brasileiras, visando descarbonizar o transporte de cargas com uma solução rápida e eficiente.
A infraestrutura logística brasileira acaba de ganhar um marco importante na transição energética. A Ultragaz oficializou nesta quarta-feira (4), em Jundiaí, a abertura de postos dedicados ao abastecimento de biometano, estrategicamente localizados nos quilômetros 58 e 62 da Rodovia dos Bandeirantes. O projeto representa um investimento de R$ 4 milhões e promete ser o ponto de partida para uma rede que deve se expandir pelos principais corredores do país nos próximos anos.
Inicialmente, a operação atenderá exclusivamente frotas de clientes parceiros da companhia. A abertura total ao mercado, permitindo que qualquer caminhão pesado compatível utilize a estrutura, está prevista para o primeiro trimestre de 2027. Com essa iniciativa, a empresa busca eliminar um dos maiores gargalos para a adoção de combustíveis renováveis no Brasil: a escassez de pontos de reabastecimento nas estradas.
Tecnologia e agilidade nas pistas
As unidades instaladas no Complexo Lago Azul possuem capacidade para fornecer 24 mil metros cúbicos de biometano diariamente em cada sentido da rodovia. Com uma tecnologia de compressão desenvolvida ao longo de 15 anos por engenheiros brasileiros em Caxias do Sul, o sistema opera de forma independente da rede canalizada, garantindo autonomia e agilidade no atendimento.
“Conseguimos abastecer um caminhão de 8 a 12 minutos, um diferencial importante com relação à eficiência e à produtividade”, destaca Guilherme Darezzo, vice-presidente de Mercados da Ultragaz.
O tempo de parada é um fator crítico para o setor de logística, e a capacidade de realizar o abastecimento completo em poucos minutos coloca o biometano em pé de igualdade com o diesel em termos de agilidade. O combustível é obtido a partir da purificação de resíduos orgânicos, sendo o suprimento da unidade da Bandeirantes oriundo do aterro sanitário de Caieiras, distante apenas 5 quilômetros do local.
Planos de expansão e impacto ambiental
O movimento da Ultragaz não se limita ao trecho paulista. A companhia projeta a instalação de mais de 20 postos rodoviários nos próximos três anos. A BR-101 aparece como a principal candidata para receber a próxima unidade, embora as regiões de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro também estejam sendo analisadas para compor as chamadas rotas verdes.
A relevância do projeto é clara diante do cenário atual: enquanto o Brasil possui uma frota de mais de 2 milhões de caminhões movidos a diesel, o contingente de veículos a gás ainda é incipiente, com cerca de 2,5 mil unidades. A transição energética enfrenta o desafio de oferecer viabilidade econômica para embarcadores de diversos portes. Segundo a empresa, o novo modelo de postos em rodovias democratiza o acesso ao combustível limpo, estendendo a tecnologia para transportadoras que não possuem estrutura própria de abastecimento.
O setor de transporte de cargas, responsável por grande parte da emissão de carbono no país, encontra no biometano uma rota tangível para a sustentabilidade. Com quase 90 anos de história focados no GLP, a Ultragaz marca, com esse investimento, um reposicionamento estratégico, consolidando-se como um player central na oferta de matrizes energéticas diversificadas para o transporte pesado nacional.









