Complexo eólico da CTG Brasil entra em operação comercial com 648 MW na Paraíba

Reprodução | Arquivo
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O Complexo Serra da Palmeira, operado pela CTG Brasil no Seridó paraibano, adicionou 648 MW à matriz elétrica nacional em outubro, representando quase toda a nova capacidade de geração do país no período.

A região do Seridó paraibano tornou-se o epicentro da expansão da energia limpa no Brasil com a entrada em operação comercial das 23 usinas que compõem o Complexo Serra da Palmeira. Desenvolvido pela CTG Brasil, subsidiária da gigante asiática China Three Gorges, o empreendimento injetou 648 megawatts de capacidade na matriz elétrica nacional. O volume colossal representou mais de noventa por cento de toda a nova oferta de energia ligada ao sistema brasileiro no mês de outubro, conforme dados divulgados pela Aneel.

As autorizações oficiais para as unidades produtivas, batizadas de Serra da Palmeira I até a Serra da Palmeira XXIII, foram publicadas no Diário Oficial da União. Os parques eólicos estão estrategicamente distribuídos entre os municípios de Picuí, Pedra Lavrada, Nova Palmeira e Baraúna, consolidando o interior da Paraíba como um polo estratégico para a transição energética nacional e transformando a paisagem local com dezenas de torres imponentes.

Um salto monumental após meses de estagnação eólica

O avanço expressivo protagonizado pelo complexo paraibano mudou completamente o panorama do setor no país. Até setembro, o ano de 2026 registrava um ritmo bastante tímido para a expansão da fonte eólica, com poucas centrais inauguradas em todo o território nacional. Com a autorização concedida pela agência reguladora, a potência acumulada por parques eólicos no Brasil entre janeiro e outubro deu um salto considerável, evidenciando o peso estratégico da obra no Nordeste.

No ranking nacional de expansão da capacidade geradora no acumulado do ano, a Paraíba disparou para a segunda colocação geral, somando centenas de megawatts novos e ficando atrás apenas do Mato Grosso do Sul. Especialistas apontam que, sem a entrega massiva do projeto da CTG Brasil, o estado nordestino teria registrado números modestos no período, o que reforça o impacto transformador do empreendimento para a economia regional e para o setor elétrico brasileiro.

Logística complexa e infraestrutura robusta no semiárido

A materialização de um parque eólico desse porte exigiu superações logísticas impressionantes ao longo dos trinta meses de obras, iniciadas no segundo semestre de 2023. Um dos momentos mais marcantes do projeto ocorreu quando um transformador gigante de duzentas e cinquenta toneladas precisou ser transportado desde o Porto de Suape, em Pernambuco, até a subestação coletora em Nova Palmeira. A operação, realizada com escolta da Polícia Rodoviária Federal, percorreu mais de quatrocentos quilômetros ao longo de cerca de vinte dias.

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A magnitude do projeto exigiu planejamento rigoroso e infraestrutura de ponta, refletindo o compromisso com a expansão sustentável da geração renovável no país e a consolidação de novas rotas logísticas para equipamentos superpesados.

No total, o complexo conta com cento e oito aerogeradores de última geração, equipados com torres altíssimas e pás extensas, projetados para capturar com eficiência os ventos constantes da região serrana. Cada unidade geradora possui seu próprio transformador para elevar a tensão elétrica antes que a carga seja direcionada à subestação principal, onde a energia é convertida para quinhentos mil volts e integrada ao Sistema Interligado Nacional.

Perspectivas futuras e os desafios do escoamento energético

Embora a entrada em operação de uma quantidade tão expressiva de energia limpa fortaleça a segurança do sistema elétrico brasileiro, especialistas do setor acompanham com atenção a questão do escoamento. O fantasma dos cortes de geração por restrições de transmissão, problema recorrente em polos de energia renovável no Nordeste, continua no radar das autoridades e das empresas para garantir que todo o potencial gerado em solo paraibano chegue efetivamente aos consumidores finais.

Para os municípios que abrigam as torres, os benefícios de longo prazo tendem a se materializar por meio da arrecadação de tributos municipais e dos contratos de arrendamento de terras firmados com proprietários locais. Embora a fase de operação exija equipes técnicas mais enxutas em comparação ao pico da construção civil — que chegou a gerar mais de mil postos de trabalho diretos —, a presença da CTG Brasil na região marca uma nova era econômica, unindo a força dos ventos sertanejos ao suprimento energético do país.

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