Expansão de renováveis exige foco em infraestrutura e baterias para superar gargalos de transmissão e gerar empregos no Nordeste, afirma a senadora eleita Samanda Alves.
A ampliação contínua da capacidade geradora de fontes limpas deixou de ser a única prioridade no planejamento elétrico do país. Durante participação no evento EVEx Lisboa 2026, a senadora eleita pelo Rio Grande do Norte, Samanda Alves (PT), destacou a urgência de solucionar os severos entraves de escoamento da produção energética.
O panorama atual aponta que gargalos de infraestrutura reduzem a eficiência no aproveitamento do potencial eólico e solar. Diante desse cenário, a parlamentar defende a implementação de diretrizes focadas na modicidade, segurança jurídica e atração de investimentos produtivos.
A consolidação desse novo momento depende de ampla articulação entre os entes federativos, órgãos reguladores e o setor privado, garantindo que o volume de eletricidade gerado na Região Nordeste seja convertido em desenvolvimento econômico real.
Regulação de baterias e gargalos na transmissão
Uma das alternativas decisivas para contornar a intermitência e assegurar o suprimento contínuo é o armazenamento em sistemas de baterias. A realização de certames dedicados ao segmento é vista com alta expectativa pelos estados produtores da Região Nordeste.
Para a nova legisladora, o aperfeiçoamento das regras operacionais para essa tecnologia servirá como um divisor de águas na avaliação de risco realizada pelos investidores internacionais.
Afirmou Samanda Alves ao estúdio eixos:
“É uma pauta que a gente precisa acompanhar de perto. Inclusive, a regulamentação desse assunto, ela vai ser um teste de governança também que precisa ser passado para os investidores, para toda a cadeia envolvida”
Industrialização regional e infraestrutura logística
Além da expansão do sistema de transmissão, a estratégia de desenvolvimento precisa contemplar o fortalecimento das cadeias industriais próximas aos locais de geração. A proposta busca impedir que o Nordeste atue apenas como fornecedor primário de carga.
A atração de empreendimentos intensivos em energia, como centros de dados e iniciativas ligadas ao Redata, exige melhorias estruturais significativas no ecossistema logístico regional. Obras como a adequação da rodovia BR-304 e a entrega da ferrovia Transnordestina figuram como essenciais.
Ressaltou a parlamentar:
“Nós não queremos só exportar elétrons, nós queremos também mecanismos que garantam empregos de qualidade para o povo não só do Rio Grande do Norte, nordestino, mas para onde as indústrias estão”
Desafios políticos e próximos passos
A tramitação dessas agendas no Congresso Nacional exigirá diálogo constante diante de um ambiente político com forte presença da oposição. O avanço de matérias ligadas à transição energética dependerá do alinhamento técnico entre os diferentes poderes.
O equilíbrio entre investimentos em transmissão, armazenamento de energia e melhoria das malhas rodoviárias definirá a capacidade do Brasil em transformar seu potencial renovável em desenvolvimento socioeconômico sustentável.












