O adiamento dos aguardados leilões de baterias no Brasil pode gerar um preocupante déficit de potência no sistema elétrico nacional em 2028, alerta a Absae.
O futuro da segurança energética do Brasil em 2028 está em pauta, diante da incerteza que paira sobre os primeiros leilões de baterias do país. A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) manifestou profunda preocupação com a possibilidade de postergação desses certames cruciais, apontando que tal atraso poderá resultar em uma lacuna significativa no suprimento de energia.
A indefinição em torno das regras e, principalmente, do modelo de rateio dos custos da inserção dessas tecnologias no sistema elétrico tem gerado um cenário de instabilidade. Enquanto o setor aguarda os leilões previstos para o início de dezembro, a Absae destaca o risco iminente de um déficit de potência que afetará diretamente a oferta de energia daqui a quatro anos, caso as licitações não ocorram no prazo planejado.
Impasse no Rateio dos Custos Ameaça Leilões
A discussão central que tem travado o avanço dos leilões de armazenamento de energia reside na alocação dos custos. Atualmente, a proposta é que apenas os geradores arquem com essa despesa, uma medida que vem sofrendo forte oposição do mercado. Há uma mobilização para que os consumidores também participem dessa divisão, buscando um modelo mais equitativo. Apesar de concordar com a inclusão dos consumidores, Fábio Lima, diretor-executivo da Absae, ressalta que o modelo atual não deveria ser um impedimento para a realização do certame, dada a urgência da questão.
Urgência para Evitar um Déficit Estrutural
O panorama para 2028 exige atenção imediata. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já projeta uma necessidade adicional de 5,5 gigawatts (GW) de potência no sistema elétrico brasileiro. Segundo Lima, o tempo de implantação das soluções de armazenamento de energia é fixo e não pode ser encurtado, o que torna imperativo que os leilões de baterias aconteçam ainda neste ano para que o fornecimento comece a ser efetivado em 2028.
“É imprescindível a realização do leilão este ano. A gente tem um risco que está bem documentado de déficit de potência. Não se está fazendo leilão para entender a tecnologia, se está fazendo leilão para atender o déficit de potência da maneira mais barata possível”, enfatiza Fábio Lima.
Consequências para o Consumidor e o Sistema
Um eventual atraso na contratação de baterias implicaria em decisões onerosas para o setor energético e, consequentemente, para o bolso do cidadão. Sem a flexibilidade e o suporte que o armazenamento de energia pode oferecer, o governo seria compelido a recorrer mais intensamente ao acionamento de usinas térmicas, elevando os encargos na conta de luz. Além do impacto econômico, a falta de potência adequada aumenta o risco de interrupções no fornecimento, culminando no temido apagão.
Ainda sobre o rateio, Lima esclarece que a exclusão dos consumidores na divisão direta dos custos não os isenta de pagar, mas sim os penaliza com valores majorados. Isso ocorre porque os geradores, ao repassar essa despesa, incorporarão outros encargos e impostos, fazendo com que o preço final da energia chegue mais caro. Além disso, a atual metodologia distorce os sinais econômicos, não incentivando grandes consumidores a gerenciar sua demanda de pico, como acontece em outras soluções energéticas.
A tomada de decisão sobre os leilões de baterias é crucial para a trajetória da matriz energética brasileira. O Brasil, em sua busca por um futuro com mais energia limpa e sustentável, precisa superar os impasses regulatórios e de custos para garantir a segurança energética e evitar o déficit de potência em 2028. A realização tempestiva desses certames não só atenderá a uma demanda projetada, mas também solidificará o compromisso do país com a transição energética e a eficiência do seu sistema elétrico, protegendo o consumidor de custos e riscos desnecessários.
















