Com o fim da recuperação judicial e a renovação da concessão, a Light entra em uma nova fase financeira, focando na otimização de sua dívida e estabilidade operacional.
Após superar as etapas críticas de sua reestruturação, a Light iniciou um capítulo decisivo para o futuro da companhia. Com o encerramento do processo de recuperação judicial e a garantia de mais três décadas de concessão no Rio de Janeiro, a empresa agora volta suas atenções para uma gestão estratégica de seus passivos, buscando melhores condições de mercado e previsibilidade de caixa.
O movimento ocorre em um momento em que a organização busca consolidar o impacto de um aporte robusto de R$ 1,5 bilhão em capital, realizado via emissão de novas ações. Para a diretoria, esse conjunto de ações não apenas estabiliza o negócio, mas eleva o patamar da distribuidora diante do setor de energia.
Otimização financeira e acesso ao mercado
A estratégia de liability management – o gerenciamento da dívida – é a grande prioridade da gestão financeira da Light. Embora o endividamento líquido tenha atingido R$ 7,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, a empresa destaca uma redução significativa de 13,4% em comparação ao primeiro trimestre, sinalizando uma trajetória de controle.
A companhia segue avaliando a oportunidade de liability management, inclusive para a proteção cambial da dívida em dólar, com foco em custo, prazo e previsibilidade de caixa no novo ciclo de concessão. E especialmente agora, com o fim da RJ, a gente vai ter um acesso muito mais amplo ao mercado.
O diretor Financeiro, Leonardo Gadelha, reforçou que o objetivo é aproveitar a maior confiança do mercado para renegociar prazos e custos, protegendo a companhia das oscilações cambiais e garantindo a solidez necessária para o longo prazo.
Desempenho operacional e resiliência
Apesar de um cenário industrial desafiador, com queda de 7,9% no consumo de energia por parte dessa classe, o desempenho da Light foi sustentado pela robustez dos segmentos residencial e comercial. O volume de energia distribuída cresceu 0,6%, totalizando 6.160 GWh no trimestre, um resultado que demonstra a estabilidade da demanda básica.
A empresa também reportou avanços expressivos nos indicadores de qualidade, mesmo sob condições climáticas adversas. A redução de 63% no tempo de atendimento emergencial e a queda drástica nas interrupções prolongadas mostram uma melhor eficiência operacional. Os índices regulatórios DEC e FEC, cruciais para a avaliação do setor elétrico, mantiveram-se dentro dos limites exigidos pelo regulador.
O horizonte para a companhia, liderada pelo presidente Alexandre Nogueira, é de crescimento sustentado. Embora o trimestre tenha registrado um prejuízo de R$ 252 milhões, a estratégia de longo prazo é focada em transformar a previsibilidade gerada pela nova concessão e o encerramento da crise jurídica em um ciclo de estabilidade financeira e operacional. O mercado agora acompanha de perto se essa nova etapa será suficiente para reduzir a alavancagem e impulsionar a lucratividade do grupo.























