A Taesa redefine sua estratégia de crescimento, priorizando investimentos em armazenamento de energia por baterias e a integração de ativos recém-adquiridos, enquanto adota cautela em futuros leilões de transmissão.
A Taesa, gigante do setor de transmissão de energia, está delineando um novo horizonte para seus investimentos e expansão. A companhia tem direcionado um olhar estratégico ao promissor segmento de armazenamento de energia por baterias, vislumbrando-o como uma nova e robusta frente de crescimento. Paralelamente a essa busca por diversificação, a empresa demonstra uma postura seletiva em relação aos próximos leilões de transmissão, com foco claro na disciplina de capital e na otimização de valor.
Essa mudança de curso reflete não apenas a adaptabilidade da Taesa às dinâmicas do setor elétrico brasileiro, mas também uma aposta em tecnologias inovadoras que prometem maior flexibilidade e sustentabilidade para a infraestrutura energética do país. A aquisição de novas concessões, inclusive, desponta como prioridade para o curto e médio prazo.
Mercado de Baterias: Nova Fronteira de Oportunidades
O segmento de armazenamento de energia por baterias (BESS) tem atraído a atenção da Taesa como uma área de vasto potencial. A empresa já dedica tempo considerável ao estudo da participação no leilão específico para a modalidade, agendado para dezembro. Contudo, a efetivação dessa participação está intrinsecamente ligada à finalização das diretrizes regulatórias pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Mauricio Dall’Agnese, diretor de Novos Negócios da Taesa, sublinha a relevância do arcabouço normativo:
Esse pode ser uma nova avenida de crescimento e nós estamos estudando há bastante tempo, mas a conclusão desses estudos para uma possível participação em projetos de armazenamento depende da conclusão da própria regulação que será aplicada a esse negócio.
A expectativa é que a Aneel conclua a regulamentação nos próximos meses, definindo as condições para o certame que será dividido em duas etapas: uma para equipamentos com conteúdo nacional e outra sem essa exigência.
Postura Seletiva em Leilões de Transmissão
Enquanto explora o promissor mercado de baterias, a Taesa adota uma abordagem mais cautelosa e seletiva em relação aos tradicionais leilões de transmissão. Para o segundo leilão de transmissão de 2026, previsto para outubro, a companhia avalia como baixa a probabilidade de entrar na disputa.
Apesar da seletividade, a transmissora reitera seu compromisso com o setor, que ainda oferece oportunidades estratégicas de investimento. Isso inclui a expansão por meio de reforços e melhorias em ativos existentes, além de potenciais aquisições de projetos já em operação.
Integração de Concessões da Energisa: Prioridade Imediata
Para os próximos meses, uma das principais agendas da Taesa é a conclusão e integração da carteira de cinco concessões que foram adquiridas da Energisa. Essa operação, avaliada em R$ 2,3 bilhões, representa um volume significativo de ativos que demandará um esforço concentrado da gestão para sua completa absorção e operação eficiente dentro da estrutura da Taesa.
Essa aquisição reforça o compromisso da empresa com a expansão orgânica e inorgânica, sempre com o objetivo de gerar valor para o acionista e fortalecer sua posição no mercado de energia.
Resultados Financeiros do Segundo Trimestre de 2026
A Taesa divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026, apresentando um cenário misto. O lucro líquido regulatório atingiu R$ 206,8 milhões, uma retração anual de 28,5%. Em contrapartida, a receita líquida regulatória cresceu 9,3%, alcançando R$ 679,2 milhões, impulsionada pela entrada em operação de novos empreendimentos como Tangará, Saíra (segunda fase) e Ananaí, além do reajuste positivo do IGP-M e IPCA no ciclo de Receita Anual Permitida (RAP) 2025-2026. O Ebitda regulatório também registrou alta de 10,6%, somando R$ 577,2 milhões.
Sob a ótica das normas contábeis internacionais (IFRS), o lucro líquido da Taesa totalizou R$ 567,1 milhões, um aumento de 13,5% em relação ao ano anterior. No entanto, a receita líquida IFRS registrou uma queda de 15,4%, para R$ 1,067,6 bilhão, influenciada por menores investimentos e o reconhecimento pontual de receita no trimestre anterior.
A Taesa segue em seu caminho de transformação, buscando um equilíbrio entre a solidez do seu negócio de transmissão e a exploração de novas avenidas de crescimento no dinâmico mercado de energia, com foco estratégico na tecnologia de armazenamento por baterias e na integração eficiente de suas aquisições.























