O governo federal oficializou a terceira etapa do Desenrola Brasil, que promete reduzir o endividamento das famílias através da compra de dívidas por meio de leilões estratégicos.
A renegociação de débitos de pessoas físicas no país acaba de ganhar um novo fôlego. Na última sexta-feira (25), foi assinada a medida provisória que institui o Desenrola Brasil 3.0, um movimento estruturado para aliviar o peso financeiro sobre milhões de brasileiros que buscam sair da inadimplência.
O grande diferencial desta edição está na atuação direta da União. O governo passará a adquirir carteiras de dívidas através de leilões, garantindo que os descontos obtidos nessas operações sejam transferidos integralmente aos cidadãos. Com foco em dívidas de até R$ 10 mil, a iniciativa mira um público cujo histórico de atraso varia entre dois e quatro anos e meio.
Mecânica e alcance do programa
O Desenrola Brasil 3.0 foi desenhado para ser massivo, com a expectativa de atingir até 15 milhões de pessoas. O governo estima que o volume de negociações chegue a R$ 75 bilhões, contando com um aporte de R$ 15 bilhões. O programa prioriza credores que ofereçam os maiores descontos, com uma meta de deságio mínimo fixada em 90%.
A estratégia de comprar lotes inteiros de dívidas, incluindo contas de serviços essenciais como energia elétrica e água, visa limpar o nome de uma parcela expressiva da população que hoje está impedida de acessar o mercado de crédito, destacam especialistas em políticas de sustentabilidade financeira.
Impacto nos setores de serviços
É importante notar que o volume de inadimplência no Brasil ultrapassa os R$ 590 bilhões, sendo que mais da metade desse montante não possui natureza bancária. Contas essenciais, como as de energia e saneamento, representam 20% deste estoque, evidenciando que a nova fase do projeto ataca diretamente o custo de vida básico das famílias.
As operações de compra serão conduzidas por instituições como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. A regra é clara: para participar, o credor deve ceder a totalidade dos créditos elegíveis, vedando a seleção parcial de dívidas, o que amplia a transparência e a eficácia da medida.
Cronograma de implementação
O processo será gradual, começando pela estruturação das propostas e avançando para a homologação no início de 2027. Confira os marcos principais:
- Novembro de 2026: Chamamento público para que credores apresentem suas propostas.
- Dezembro de 2026: Período de entrega formal das propostas pelas instituições.
- Janeiro de 2027: Homologação dos vencedores e classificação dos lotes.
- Fevereiro de 2027: Início da assinatura dos contratos e aplicação dos descontos para os devedores.
Com essa estrutura, a expectativa é que o governo não apenas limpe os registros de inadimplentes, mas também dinamize o consumo e a saúde financeira do país a longo prazo, oferecendo opções de quitação à vista ou parcelamento que cabem no bolso do consumidor brasileiro.












