MME defende que preço da energia chegue ao consumidor de baixa tensão

MME defende que preço da energia chegue ao consumidor de baixa tensão
MME defende que preço da energia chegue ao consumidor de baixa tensão - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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Expansão do mercado livre de energia visa beneficiar consumidores residenciais com preços mais baixos.

A necessidade de um sistema de precificação de energia mais equitativo foi o foco principal de um debate no Senado Federal, onde o secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), João Daniel Cascalho, defendeu a chegada de sinais de preço mais claros aos consumidores de baixa tensão. A proposta centraliza-se em incentivar que famílias e pequenos negócios ajustem seu consumo para horários de menor demanda, resultando em tarifas mais acessíveis.

Cascalho destacou que a abertura do mercado livre de energia é um passo crucial para que essa dinâmica de preços se materialize. Essa medida, aliada a outras estratégias do MME, visa criar um ambiente onde a eficiência energética seja recompensada diretamente na conta de luz dos brasileiros. A declaração foi feita durante uma sessão temática sobre energias renováveis.

Novas políticas e desafios no setor elétrico

O secretário aproveitou a oportunidade para detalhar outras ações do ministério, incluindo a realização de leilões para garantir a disponibilidade de potência e a expansão da rede de transmissão. A aprovação do teto para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) pelo Congresso Nacional também foi mencionada como um avanço significativo.

Um ponto de atenção abordado foi a gestão do curtailment, ou seja, os cortes na geração de energia renovável. Cascalho ressaltou que essa questão transcende a esfera energética, impactando diretamente as políticas industriais e de desenvolvimento do país. A incerteza gerada pelos cortes tem levado à paralisação de investimentos no setor.

Para mitigar os efeitos negativos do curtailment, o MME publicou, em julho de 2026, a Portaria Normativa nº 140/2026. Esta norma estabelece regras para o ressarcimento de geradores eólicos e solares cujas produções foram interrompidas por motivos de indisponibilidade externa ou falhas de confiabilidade entre 2023 e 2025. A importância dessas compensações foi ecoada por Élbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

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Impulsionando eólicas offshore e armazenamento

A discussão também abrangeu o potencial das eólicas offshore. Roberta Cox, diretora do Global Wind Energy Council (GWEC), enfatizou a urgência de o Brasil avançar na regulamentação para a exploração dessas fontes. Embora já exista um marco legal para a geração marítima (Lei nº 15.097/2025), a falta de regulamentações complementares, como a cessão de áreas, ainda impede o pleno desenvolvimento.

A relevância do armazenamento de energia foi sublinhada por Angela Livino, líder regional da International Hydropower Association (IHA) no Brasil. Ela destacou o papel das usinas hidrelétricas reversíveis na garantia da segurança e na otimização dos custos do sistema elétrico. Segundo Livino, essas usinas podem atuar tanto em demandas de longo quanto de curto prazo, complementando soluções como baterias químicas. A especialista mencionou que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está consolidando regulamentações para hidrelétricas reversíveis, baseadas na consulta pública nº 39/2023.

Paralelamente, o debate no Senado, proposto pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), abordou o Projeto de Lei (PL) nº 699/2023. A matéria, que trata da fabricação de fertilizantes — um setor de alta demanda por gás natural —, tem previsão de votação no Senado nesta quarta-feira, 12 de agosto. O senador ressaltou o potencial de Sergipe na produção de fertilizantes nitrogenados, dada a disponibilidade de gás natural no estado.

A articulação entre a política energética, o desenvolvimento industrial e a viabilidade econômica de novas fontes é fundamental para o futuro do setor elétrico brasileiro. A busca por um sistema de preços mais transparente e a exploração de todo o potencial das energias renováveis, incluindo o armazenamento e as eólicas offshore, moldarão o cenário energético nos próximos anos.

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