Inadimplência no Mercado de Curto Prazo de energia registra leve recuo em junho, mas grupo de quatro grandes empresas ainda responde pela maior parte dos débitos acumulados.
Após dois meses consecutivos de avanço, a inadimplência no Mercado de Curto Prazo (MCP) de energia apresentou um alívio em junho. De acordo com os números mais recentes da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o montante da dívida efetiva totalizou R$ 102,47 milhões no mês, indicando uma redução frente aos R$ 110,25 milhões observados em maio.
Apesar da melhora numérica, o cenário ainda impõe cautela ao setor. A queda no volume total de inadimplência não decorreu de uma diminuição dos débitos das companhias que ocupam o topo da lista devedora, as quais mantiveram seus passivos praticamente inalterados, evidenciando uma persistente concentração da dívida.
O peso dos maiores devedores
A lista das empresas com maiores pendências financeiras no MCP permanece praticamente inalterada. A 2W Comercializadora Varejista de Energia segue liderando o ranking com R$ 33,76 milhões em aberto. Na sequência, a Electra Varejista aparece com R$ 28,23 milhões, enquanto a Brasil Telecom/Oi e a Boven Comercializadora Varejista registraram débitos de R$ 14,63 milhões e R$ 9,78 milhões, respectivamente.
Ao analisar o impacto dessas quatro empresas, percebe-se a relevância do grupo no contexto geral do mercado:
“Juntos, os quatro maiores devedores somaram cerca de R$ 86,4 milhões em junho, o equivalente a aproximadamente 84% da inadimplência efetiva do mês.”
Contexto da liquidação e o impacto do GSF
O valor total das liquidações em junho movimentou R$ 2,35 bilhões, sendo que o montante efetivamente quitado chegou a R$ 1,91 bilhão. Isso representa um índice de adimplência de 81,28% sobre o total contabilizado. Vale destacar que, embora o valor total não pago tenha somado R$ 439,39 milhões, grande parte desse saldo — cerca de R$ 328,85 milhões — está protegida por suspensões judiciais ou decisões ligadas ao GSF (Generation Scaling Factor), especificamente envolvendo as usinas da Bolognesi.
Com a manutenção dos débitos, os agentes credores registraram uma adimplência na casa dos 77,5%. O setor agora aguarda o próximo ciclo de contabilização da CCEE para entender a dinâmica de recomposição dos créditos não recebidos e o comportamento dos principais devedores nos meses seguintes.





















