São Paulo ainda lida com resquícios da forte ventania, que causou interrupções no fornecimento de energia e afetou o transporte aéreo e rodoviário em diversas regiões do estado.
A cidade de São Paulo e outras localidades do estado seguem em processo de normalização após uma intensa ventania que superou os 100 km/h. O fenômeno climático, registrado na quarta-feira (29), causou transtornos significativos, incluindo interrupções no fornecimento de energia elétrica, alterações em voos e, tragicamente, ceifou a vida de três pessoas em diferentes pontos do estado.
Apesar de os ventos na capital paulista terem atingido picos de 75,3 km/h, a força do temporal foi suficiente para impactar a infraestrutura. Uma das consequências mais sentidas foi a falta de energia, que afetou dezenas de milhares de clientes em seu auge e, na manhã seguinte, ainda mantinha cerca de 2,6 mil residências e estabelecimentos sem luz. A concessionária Enel informou que a situação se normaliza gradualmente, mas que o número atual de clientes com o fornecimento interrompido reflete as ocorrências cotidianas, além das causadas pelo evento recente.
Impacto nos Aeroportos e Mobilidade Urbana
A ventania impôs desafios consideráveis às operações aeroportuárias. No Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, 54 voos sofreram alterações, com 32 pousos e 22 decolagens cancelados na quarta-feira. Nesta quinta-feira, ajustes na malha aérea resultaram em mais três chegadas e duas partidas canceladas. A concessionária Aena assegura que a infraestrutura do aeroporto está operacional e orienta os passageiros a verificarem o status de seus voos diretamente com as companhias aéreas. Situação semelhante ocorreu no Aeroporto de Guarulhos, onde dois voos precisaram ser desviados na quarta-feira, com a normalização das operações ocorrendo no mesmo dia. O Aeroporto de Viracopos, em Campinas, funcionou como rota alternativa para oito aeronaves na tarde de quarta-feira, sem novas ocorrências registradas até o momento.
O sistema de transporte público de São Paulo, incluindo Metrô e trens da CPTM, operou sem interrupções nesta quinta-feira. Da mesma forma, o tráfego de ônibus não foi impactado pelas condições meteorológicas. O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) prevê uma instabilidade contínua no tempo paulistano, com a passagem de uma frente fria que pode trazer aumento da nebulosidade, chuviscos isolados e uma queda temporária na temperatura máxima, mas sem previsão de temporais.
Tragédias e Vento Forte no Litoral e Interior
A força da natureza deixou um rastro de destruição e dor em outras regiões do estado. No litoral, duas mortes foram registradas: um homem em situação de rua foi atingido por uma árvore em Santos, e um pescador faleceu após o naufrágio de uma embarcação entre São Sebastião e Ilhabela. Em Itanhaém, as rajadas de vento alcançaram 111 km/h. O interior do estado também registrou ventos extremos, com destaque para Itaporanga e Itaí, que mediram 124,9 km/h, seguidas por Taquarituba (117 km/h), Arandu (113,1 km/h) e Paranapanema (113 km/h). Em Cesário Lange, uma terceira vítima fatal foi confirmada após a queda de uma árvore sobre um veículo. O governo de São Paulo reforçou o apoio às áreas mais afetadas, especialmente no litoral, com equipes da Defesa Civil atuando em Peruíbe.
A forte ventania serve como um lembrete da força dos eventos climáticos extremos e da importância da preparação e resposta rápida das autoridades e da população. Enquanto a normalidade é restabelecida, os impactos nos serviços essenciais e a perda de vidas ressaltam a necessidade contínua de monitoramento e investimento em infraestrutura resiliente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. A expectativa é de que as condições meteorológicas se estabilizem nos próximos dias, permitindo a completa recuperação das áreas afetadas.






















