Mineradora investe em energia eólica no Nordeste em parceria estratégica com a Casa dos Ventos para impulsionar descarbonização.
O setor de energia limpa e a indústria de base brasileira celebram um novo marco. A mineradora Samarco e a gigante em desenvolvimento de energias renováveis, Casa dos Ventos, selaram um acordo de longo prazo para a autoprodução de energia eólica. A iniciativa estratégica posiciona a Samarco como sócia do Complexo Eólico Serra do Tigre, localizado em uma zona privilegiada entre os estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba.
Este movimento ganha força após o recebimento da aprovação regulatória do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A liberação abre caminho para que ambas as empresas avancem com os planos de execução deste projeto ambicioso. A parceria garantirá o fornecimento de 45 MW médios de energia renovável para as operações da Samarco, com o início da geração previsto para 2027.
Blindagem contra volatilidade e avanço rumo ao Net Zero
Para setores como o da mineração, que demandam um alto volume de eletricidade, a autoprodução a partir de fontes renováveis representa uma proteção essencial contra as oscilações de preço do mercado. Além disso, mitiga os riscos associados a tarifas e encargos setoriais.
Atualmente, a Samarco já opera com 100% de sua demanda atendida por fontes limpas. Contudo, este novo investimento reforça o compromisso da companhia com seu plano de longo prazo para alcançar a neutralidade de carbono (Net Zero) até 2050. Uma meta intermediária ambiciosa inclui a redução de 30% nas emissões até 2032.
Gustavo Selayzim, Diretor Financeiro, de Estratégia e Suprimentos da Samarco, ressalta os benefícios multifacetados do acordo:
“Esse modelo de autoprodução contribui para ampliar a previsibilidade dos custos de energia e reforça nossa estratégia de sustentabilidade e de buscar eficiência operacional e financeira com o uso de fontes renováveis.”
O modelo de autoprodução societária oferece vantagens significativas para grandes consumidores industriais, como a isenção de tarifas como a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) sobre a energia gerada para consumo próprio. A Casa dos Ventos, pioneira em estruturas de joint ventures no país, tem consolidado o desenvolvimento de grandes complexos de geração no Nordeste, garantindo a expansão de sua capacidade instalada por meio de contratos de longo prazo (PPAs).
Lucas Araripe, Diretor-Executivo da Casa dos Ventos, comenta sobre a maturidade dessa tendência no cenário industrial brasileiro:
“Esse acordo contribui para a jornada de descarbonização da Samarco e a tendência da mineração brasileira em adotar soluções energéticas sustentáveis. Ao estruturarmos parcerias de longo prazo através de autoprodução, entregamos não apenas energia renovável, como também segurança de suprimento com competitividade e previsibilidade financeira.”
Com o aval do Cade, as empresas iniciam agora a fase de estruturação técnica e financeira. O objetivo é integrar a geração eólica do Nordeste ao portfólio de suprimento da mineradora, fortalecendo a conexão entre o vasto potencial eólico brasileiro e a indispensável descarbonização da indústria de base.























