A Samarco obteve o sinal verde do Cade para ingressar no capital da TGR Subholding 10, braço de energia renovável da Casa dos Ventos, consolidando sua meta de expandir a autoprodução de energia.
A Samarco Mineração, operada pela Vale e pela BHP, deu um passo estratégico para tornar seus processos produtivos mais sustentáveis e financeiramente previsíveis. A mineradora recebeu o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para adquirir, por meio de uma opção de compra futura, uma fatia de uma sociedade vinculada aos ativos de geração limpa da Casa dos Ventos.
O movimento reflete o esforço da empresa em mitigar a volatilidade nos custos de energia, essenciais para a operação de seus minerodutos e unidades industriais entre Minas Gerais e Espírito Santo. Ao investir em autoprodução de energia, a mineradora busca não apenas o controle sobre a fonte da eletricidade consumida, mas também a redução de despesas operacionais a longo prazo.
Sinergia em energias renováveis
A participação adquirida pela Samarco incide sobre a TGR Subholding 10, estrutura que guarda relação com os ambiciosos projetos eólicos da Ventos de São Rafael. Esta última é peça-chave no complexo Serra do Tigre, um hub de geração que abrange 12 parques eólicos espalhados pela Paraíba e pelo Rio Grande do Norte, totalizando 756 MW de capacidade instalada.
Para a Casa dos Ventos — que conta com o apoio do fundo Salus e da gigante francesa TotalEnergies —, a parceria com a mineradora valida a atratividade de seu portfólio no mercado brasileiro de infraestrutura energética. A citação técnica enviada ao órgão antitruste detalha os benefícios esperados por ambas as companhias:
“Para a Samarco, a operação representa uma oportunidade de autoproduzir e gerar energia sustentável de forma integrada às suas cadeias produtivas, proporcionando uma fonte de energia limpa, reduzindo despesas operacionais e aumentando a previsibilidade do custo de suas atividades.”
Cenário e perspectivas
Embora os detalhes financeiros e o percentual exato do capital transferido não tenham sido divulgados, o aval do Cade é o marco principal da transação. Segundo as empresas envolvidas, o negócio não demanda o crivo de outros órgãos reguladores, permitindo que os planos de integração avancem conforme o cronograma de transição energética das mineradoras.
A estratégia da Samarco caminha em consonância com a tendência do setor de mineração nacional, que cada vez mais se associa a desenvolvedores de peso, como a Casa dos Ventos, para garantir suprimento elétrico estável e alinhado a metas globais de descarbonização. Com essa operação, a companhia reforça seu compromisso com a eficiência em um cenário onde o custo da energia tornou‑se um diferencial competitivo determinante para a viabilidade de grandes projetos industriais.























