O Cade deu sinal verde para duas movimentações estratégicas no setor elétrico brasileiro, envolvendo a aquisição de direitos de conexão pela Casa dos Ventos e a alienação de ativos de transmissão pela Axia Energia.
O mercado de energia renovável e transmissão no Brasil registrou uma movimentação relevante nesta segunda-feira (01/06). O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou transações distintas que reforçam os planos de expansão e reestruturação de grandes players do segmento.
A decisão do órgão antitruste viabiliza a entrada da Casa dos Ventos no controle da Pecém VDB 1, até então sob comando da Voltalia. A operação, realizada pelo fundo Salus, foca na garantia de acesso à Rede Básica do SIN (Sistema Interligado Nacional) para sustentar projetos de hidrogênio verde e centros de processamento de dados.
Expansão e infraestrutura no Nordeste
A Pecém VDB 1 possui 645 MW e desempenha um papel fundamental nos planos do governo federal para o Nordeste. O ativo integra uma solução estruturada para antecipar 3 GW de capacidade para novas cargas na região, visando equilibrar o crescimento industrial com o escoamento eficiente da geração renovável.
Para a Casa dos Ventos, a aquisição é um passo estratégico para consolidar seu portfólio em setores de alta demanda energética. Do lado da Voltalia, o desinvestimento faz parte de um plano de reposicionamento de capitais e ajustes na estratégia de investimentos da companhia em território nacional.
Consolidação em transmissão
Paralelamente, o Cade aprovou a venda de participações da Axia Energia para a Gebbras Participações, braço do grupo colombiano Energía Bogotá. O negócio, avaliado em R$ 451,5 milhões, envolve fatias de 49% em quatro sociedades de propósito específico (SPEs): Goiás Transmissão, MGE Transmissão, Transenergia Renovável e Transenergia São Paulo.
“Para o grupo GEB, a aquisição dos 49% restantes representa a consolidação do controle operacional sobre uma malha de mais de mil quilômetros de linhas de transmissão, espalhadas por estados estratégicos como Goiás, Minas Gerais e São Paulo“, apontaram documentos do processo antitruste.
O desfecho destas operações agora aguarda a análise final da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Enquanto a Gebbras busca expandir sua presença na infraestrutura nacional, a Axia Energia utiliza o movimento para simplificar sua estrutura societária e otimizar a gestão de seus ativos.























