Interrupções no fornecimento de energia elétrica e falhas na microgeração dominam o topo das reclamações registradas pela Aneel, com distribuidoras específicas sob maior escrutínio.
Os consumidores brasileiros continuam a expressar sua insatisfação com o serviço de energia elétrica, com as interrupções no fornecimento despontando como a principal causa de reclamações em todo o país. Os dados mais recentes do Informativo de Ouvidoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que abrange o período de maio de 2025 a abril de 2026, revelam um cenário onde a qualidade e a continuidade do serviço ainda são pontos de atenção críticos.
No acumulado nacional, a Aneel recebeu um total de 166.031 queixas. Apesar de uma redução geral de 7,17% em comparação ao período anterior, totalizando uma densidade de 18,15 reclamações por cada 10 mil unidades consumidoras, os problemas relacionados à estabilidade do fornecimento e à sua qualidade representaram 37,31% de todas as manifestações.
Faturamento, serviços técnicos e comerciais também figuram entre os motivos mais recorrentes de queixa, mas um ponto de destaque no relatório é o aumento das insatisfações relacionadas à microgeração distribuída. Questões como a conexão de sistemas fotovoltaicos e a compensação de créditos e faturamento associados a eles têm ganhado força nas manifestações dos usuários.
A categoria específica de “Falta de Energia” sozinha contabilizou 41.741 registros no último ano, mantendo-se como o principal gatilho de reclamação, mesmo com uma queda de 9,04% em sua densidade.
### Ranking de Distribuidoras e Desafios Regionais
Analisando o desempenho das empresas distribuidoras, a Enel Rio aparece na dianteira do ranking de densidade de reclamações, com 49,62 queixas a cada 10 mil unidades consumidoras, embora tenha apresentado uma redução de 14% em seus índices de insatisfação. Em seguida, aparecem a Light e a CEEE Equatorial, ambas com altas taxas de reclamações.
Em termos de volume absoluto de queixas, a Enel SP lidera com 18.783 registros, seguida pela Neoenergia Coelba (15.656) e pela Light (13.257). O relatório também aponta um aumento significativo nas reclamações para a Neoenergia Cosern (+71,39%) e a Copel Distribuição (+95,86%).
Regionalmente, o Nordeste se destaca como a área com o maior volume absoluto de reclamações, respondendo por 45.964 registros. No Norte, a Equatorial Pará concentrou quase 60% das queixas regionais, liderando o ranking local, seguida pela Energisa Rondônia e CEA Equatorial. É no Nordeste que se observa um crescimento expressivo nas reclamações sobre faturamento de microgeração, com alta de 95,84%.
O estudo da Aneel, portanto, não só reforça a urgência em solucionar as falhas de fornecimento de energia, como também sinaliza a necessidade de aprimoramento na gestão e regulamentação dos sistemas de micro e minigeração distribuída, um setor em franca expansão e que agora figura proeminentemente nas preocupações dos consumidores.























