Petrobras planeja expandir produção de fertilizantes e retoma protagonismo em setor estratégico para o agronegócio nacional, com apoio do governo.
A Petrobras está avaliando projetos para expandir a capacidade de produção de fertilizantes em suas unidades já existentes. Essa iniciativa, revelada por Wagner Felicio, gerente-executivo de Processamento de Gás Natural da estatal, sinaliza um movimento estratégico da companhia para fortalecer sua atuação em um setor crucial para o agronegócio brasileiro. O objetivo é retomar o protagonismo e reduzir a dependência externa por insumos agrícolas.
A estratégia da estatal envolve a modernização e otimização de suas plantas, uma abordagem semelhante à que vem sendo aplicada em suas refinarias. Contudo, a viabilidade desses projetos dependerá de rigorosas análises econômico-financeiras para assegurar sua rentabilidade e alinhamento com os objetivos da empresa.
Petrobras no Cenário dos Fertilizantes
Atualmente, a Petrobras opera três fábricas de fertilizantes nitrogenados, localizadas na Bahia, em Sergipe e no Paraná. Juntas, essas unidades respondem por aproximadamente 20% do mercado nacional de ureia, um componente vital para a agricultura.
Além dos planos de expansão das fábricas existentes, a companhia tem um projeto ambicioso para 2029: a inauguração de uma nova unidade em Três Lagoas (MS). Recentemente, este empreendimento recebeu a aprovação de um robusto investimento de cerca de US$ 1 bilhão, reforçando o compromisso da Petrobras com o aumento da produção nacional.
O Impulso Político e a Visão da Estatal
O tema dos fertilizantes ganhou proeminência na agenda política com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à fábrica de Camaçari, na Bahia. Esta unidade, que teve sua produção retomada em janeiro após um período de hibernação, recebeu R$ 100 milhões em investimentos da Petrobras para voltar a operar, após ter sido arrendada à Unigel no governo anterior.
Durante o evento, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, expressou uma visão crítica sobre a atuação do setor privado na área e defendeu o investimento em larga escala como uma solução para a redução dos preços do gás natural.
A produção em larga escala é o caminho para baratear o gás natural e impulsionar a indústria de fertilizantes do país.
Magda Chambriard, presidente da Petrobras
Em paralelo, o Congresso Nacional segue debatendo o Projeto de Lei (PL) 699/2023, conhecido como Profert. Esta proposta busca conceder desonerações e benefícios fiscais ao setor de fertilizantes, ganhando novo fôlego e urgência diante da instabilidade no fornecimento global, agravada por conflitos geopolíticos.
A retomada e expansão da produção de fertilizantes pela Petrobras é um passo significativo para a segurança alimentar do Brasil e para a estabilidade do agronegócio. Ao investir em suas unidades e em novas plantas, a estatal reafirma seu papel estratégico no desenvolvimento econômico do país, buscando diminuir a vulnerabilidade a choques externos e fortalecer a cadeia produtiva nacional. Os próximos passos incluirão a aprovação das análises de viabilidade econômica e o acompanhamento das discussões legislativas para o Profert, que podem catalisar ainda mais esse setor vital.























