Raízen avança em desinvestimento com nova venda de usinas solares para o grupo Gera.
A Raízen deu mais um passo em seu plano de desmobilização de ativos no setor de geração distribuída, submetendo ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma nova operação de venda de usinas solares. Desta vez, o grupo Gera Dias Energia, parte do conglomerado Gera Energia Brasil, emerge como comprador, ampliando sua atuação em energia limpa.
A transação envolve a aquisição total de sociedades de propósito específico (SPEs) que operam as usinas fotovoltaicas de geração distribuída. Embora os detalhes financeiros e o número exato de unidades não tenham sido divulgados, a operação foi aprovada pelo Cade, sinalizando sua conformidade com as normas antitruste.
Foco Estratégico e Expansão no Mercado
Para a Raízen, a venda representa a continuidade de uma estratégia focada em otimizar seus recursos e concentrar esforços nas atividades centrais de seu negócio. A desmobilização em geração distribuída faz parte de um movimento mais amplo para reduzir endividamento e fortalecer sua posição financeira.
Do lado da compradora, a aquisição reforça a posição do grupo Gera, que já atua em diversas frentes da cadeia de valor da geração distribuída, incluindo desenvolvimento, comercialização, eficiência energética e tecnologia. A aprovação regulatória não exige outras licenças, agilizando a conclusão do negócio.
Um Histórico de Colaboração e Desinvestimento
Esta não é a primeira vez que Raízen e Gera negociam ativos de geração distribuída. O relacionamento entre as empresas tem se intensificado desde 2021, quando formaram uma joint venture para desenvolver projetos de energia renovável, incluindo usinas hidrelétricas e a biogás.
Em 2025, o Cade já havia aprovado uma cisão dessa parceria, com a transferência de 11 ativos de geração distribuída para o grupo Gera. Naquele ano, a Raízen comercializou um volume considerável de usinas (55 unidades) para a Gera e a Thopen Energia, em transações que somaram cerca de R$ 600 milhões.
Programa de Venda Abrangente
A venda de ativos de geração distribuída é uma componente significativa do programa de desinvestimento da Raízen. Outras negociações recentes incluem a autorização para a Goener Participações adquirir uma SPE de geração distribuída e a venda para a Brasol de projetos solares em São Paulo e Rio de Janeiro.
Esses movimentos ocorrem em um cenário de reestruturação financeira para a Raízen, que busca reduzir sua alavancagem e reforçar a liquidez. Paralelamente, a empresa avançou na venda de outros ativos, como a usina Caarapó e sua operação na Argentina, além de conduzir um plano de recuperação extrajudicial para gerenciar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.























