Justiça de São Paulo dá aval final ao maior processo de reestruturação financeira extrajudicial da história do país, envolvendo R$ 61,4 bilhões em passivos da Raízen.
A Raízen, gigante do setor de energia renovável e biocombustíveis, obteve um marco histórico nesta quinta-feira (30). A Justiça de São Paulo homologou seu Plano de Recuperação Extrajudicial, validando a reestruturação de um passivo de R$ 61,4 bilhões. O desfecho favorável foi consolidado com o apoio de 81,6% dos credores e a ausência de contestações, conferindo segurança jurídica imediata à operação.
O processo, conduzido sob a batuta da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista, abrange dívidas robustas com bancos e papéis emitidos tanto no mercado interno quanto no cenário internacional. O plano, iniciado formalmente em junho de 2026, é agora o maior do gênero já registrado no Brasil, pavimentando o caminho para uma reestruturação profunda na joint venture entre a Cosan e a Shell.
Reequilíbrio de capital e foco no crescimento
Para estabilizar sua estrutura, a Raízen adotou medidas de fôlego, como a conversão de dívidas em participação acionária através da emissão de novas Units, além da criação de novos títulos de dívida. Complementarmente, a companhia prepara um aumento de capital estimado entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. O aporte será encabeçado pela Shell, com potencial participação da Aguassanta Participações S.A., braço de investimentos do empresário Rubens Ometto.
O diretor financeiro (CFO) e CRO da companhia celebrou o consenso alcançado junto aos credores, destacando o impacto positivo na governança.
“A formalização do plano, considerado o maior do País, dentro do prazo e com ampla aprovação, sem qualquer pedido de impugnação, representa um avanço fundamental na reestruturação financeira da Raízen. Esse marco consolida uma base sólida para os próximos passos da Companhia, com uma estrutura de capital mais equilibrada e preparada para assegurar o crescimento sustentável dos dois negócios.”
Simplificação e novos rumos estratégicos
Além do ajuste financeiro, a empresa inicia agora uma reorganização operacional. O plano prevê a venda de ativos não estratégicos e a segregação definitiva dos braços de distribuição de combustíveis e energia. A meta é criar uma estrutura corporativa mais ágil e eficiente, capaz de focar recursos em áreas prioritárias.
Para o mercado, a decisão judicial elimina ruídos de incerteza e sinaliza que a Raízen está pronta para uma fase de maior independência operacional. A expectativa é que essa nova organização societária permita à companhia ser mais assertiva na captura de oportunidades em um mercado global que exige cada vez mais agilidade na transição energética e no desenvolvimento de combustíveis sustentáveis.























