Goener expande presença em geração distribuída com aquisição de ativo da Raízen, que segue plano de desinvestimentos.
A arena da energia limpa no Brasil presencia mais um movimento estratégico. A Goener Participações recebeu sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para adquirir a totalidade da Gosolar UFV IV SPE S.A., uma sociedade de propósito específico (SPE) focada em geração distribuída (GD). O ativo em questão pertencia à Polaris IX Energia, subsidiária da gigante Raízen.
Esta aprovação reforça a ambição da Goener em consolidar sua posição no promissor mercado de geração distribuída. Simultaneamente, a Raízen demonstra o prosseguimento de sua estratégia de desmobilização de ativos ligados ao setor energético, um movimento que vem ganhando tração.
Um Passo a Mais para a Goener em GD
A decisão do Cade, publicada nesta segunda-feira, marca um novo capítulo para a Goener. A companhia, que já vinha demonstrando interesse em expandir seu portfólio de energia renovável, vê nesta aquisição uma oportunidade de fortalecer sua atuação.
A Goener tem como foco o desenvolvimento de projetos de geração a partir de fontes limpas, com especial atenção a usinas fotovoltaicas. A empresa alega possuir vasta experiência tanto na implantação quanto na operação desses empreendimentos, características que a credenciam para a gestão do novo ativo. Com a conclusão da transação, a Goener passará a controlar 100% da Gosolar UFV IV.
Raízen Continua seu Processo de Desinvestimento
Para a Raízen, a venda se alinha diretamente ao plano de reestruturação e desinvestimento de ativos de energia. A Polaris IX Energia, vendedora do ativo, é uma sociedade não operacional controlada pela própria Raízen, cujos acionistas majoritários são a Cosan e a Shell Brazil Holding.
A empresa, conhecida por suas atividades no setor de combustíveis, também possui forte presença na produção de açúcar, etanol, bioenergia e na geração de energia elétrica. Conforme documentado no processo junto ao Cade, as empresas explicitamente declararam que a operação está “alinhada com o plano de desinvestimento dos ativos de energia do grupo Raízen”.
Histórico de Desinvestimentos da Raízen
Este não é um movimento isolado para a Raízen. Na semana anterior à publicação da decisão do Cade, a empresa anunciou a venda da usina Caarapó para a Adecoagro Vale do Ivinhema, em um negócio avaliado em R$ 760 milhões. Essa transação abrange a unidade industrial, além de contratos e cana-de-açúcar associados à planta.
No início de julho, o órgão regulador também aprovou a aquisição dos ativos da Raízen na Argentina pelo grupo Mercuria. A operação incluiu a transferência do controle de empresas responsáveis pelas atividades de refino e distribuição de combustíveis no país vizinho.
Em outra frente no segmento de GD, a Raízen também encaminhou ao Cade a venda de participação em uma subsidiária de geração distribuída a biogás para o grupo Gera Energia. A transação envolve a aquisição da Bio Polaris, detida pela Raízen, pela Bio Gera, controlada pela Gera.
Em março deste ano, a Raízen já havia recebido autorização para vender duas SPEs para a Brasol, empresa com investimentos do grupo Siemens e BlackRock. Estas SPEs são responsáveis por cinco projetos de geração solar distribuída em operação em São Paulo e Rio de Janeiro.
Impacto da Recuperação Extrajudicial e o Caminho Adiante
Os desinvestimentos ocorrem em um contexto de reestruturação financeira para a Raízen. Em março, a empresa teve aceito um pedido de recuperação extrajudicial devido a uma dívida de R$ 65 bilhões, buscando suspender ações e execuções de crédito por 180 dias. A venda de ativos de GD faz parte da estratégia para reduzir seu endividamento.
Vale lembrar que a Raízen já manteve uma parceria com o grupo Gera em 2021, formando uma joint venture para impulsionar projetos de GD com novas tecnologias. No ano passado, a Raízen obteve aprovação do Cade para uma cisão dessa parceria, vendendo 11 ativos de geração distribuída para a Gera e outros 55 usinas para a Gera e a Thopen Energia, em um montante aproximado de R$ 600 milhões.























