Um megaempreendimento solar em São Paulo abastecerá a rede de transportes da Motiva a partir de 2027, em um contrato de 15 anos focado em sustentabilidade e eficiência financeira.
Uma das maiores operações de mobilidade do Brasil está prestes a mudar sua matriz energética. Em um acordo estratégico de longo prazo, a empresa de infraestrutura Motiva firmou uma parceria com a EDP para suprir suas operações de metrôs, trens, VLTs e rodovias com energia gerada a partir de uma usina solar no interior paulista.
O projeto, que se beneficia de um dos maiores parques fotovoltaicos do estado, promete ser um pilar central na estratégia de descarbonização e redução de custos operacionais do grupo.
O fornecimento será viabilizado por meio do Complexo Solar Novo Oriente, localizado em Ilha Solteira (SP), que abriga mais de 558 mil módulos fotovoltaicos. Embora o complexo total possua uma capacidade instalada de 254 MW, o contrato específico da Motiva utilizará a geração da unidade denominada Novo Oriente VI.
A iniciativa reflete uma tendência crescente entre grandes corporações brasileiras: a busca por autoprodução de energia para garantir previsibilidade financeira diante da volatilidade do mercado.
Eficiência e impacto na rede de transportes
O contrato abrange 13 concessões e 154 unidades consumidoras espalhadas por seis estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Entre os sistemas beneficiados estão as linhas 4-Amarela e 5-Lilás do Metrô de São Paulo, além de eixos rodoviários estratégicos como o Sistema Anhanguera-Bandeirantes, a Rodovia Presidente Dutra e o Rodoanel.
Com o novo arranjo, a Motiva projeta que sua participação em projetos de autoprodução suba de 60% para 85% de sua demanda total.
A expectativa é de que o modelo contratual de 15 anos gere uma economia de 25% nos custos com eletricidade na comparação com os valores de 2023. Para a empresa, a transição não é apenas financeira, mas um passo fundamental para consolidar o uso de fontes limpas em suas atividades.
“A parceria permite que diferentes unidades consumidoras utilizem energia contratada de uma fonte renovável, sem depender da construção de uma usina exclusiva para cada operação.”
Sustentabilidade e os próximos passos
O impacto ambiental desta parceria é igualmente relevante. Com a utilização de certificados de energia renovável (I-RECs), as empresas estimam que a operação evite a emissão de aproximadamente 3,8 mil toneladas de CO₂ anualmente.
Este compromisso reforça a posição da Motiva, que já utiliza eletricidade renovável em grande parte de suas operações desde o fim de 2024, complementando um portfólio que já inclui parques eólicos no Nordeste.
Apesar de o complexo em Ilha Solteira já estar operacional — com investimento de R$ 1,22 bilhão e chancela do Novo PAC —, o fornecimento direto para a Motiva está programado para ter início apenas em 2027. O cronograma depende, agora, da finalização de trâmites contratuais e da aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), selando um movimento que pode servir de modelo para outros operadores de logística e transporte no país.









